Eleições 2026

Campeões de votos: Nikolas e Alessandra chegam a 2026 ligados à oposição conservadora

Os dois lideraram a votação para deputado federal em seus estados em 2022, mas foram eleitos por bases diferentes; aproximação de Alessandra com a direita será testada nas urnas

Por Estado do Pará Online
16/08/2026 às 01:17 • 5 min
Alessandra Haber e Nikolas Ferreira, deputados mais votados do Pará e de Minas Gerais em 2022

Nikolas Ferreira recebeu 1,49 milhão de votos em Minas Gerais, enquanto Alessandra Haber conquistou 258,9 mil votos no Pará em 2022. Montagem: EPOL. Fotos: Alfredo Matos e redes sociais de Nikolas Ferreira. Montagem: EPOL | Fotos: Alfredo Matos e redes sociais de Nikolas Ferreira

Nikolas Ferreira e Alessandra Haber saíram das eleições de 2022 como os candidatos a deputado federal mais votados de Minas Gerais e do Pará, respectivamente. Os dois hoje dialogam prioritariamente com setores conservadores e estão em legendas posicionadas no campo da direita e da centro-direita, em oposição ao governo Lula e às principais bandeiras políticas do PT.

A semelhança ideológica atual, entretanto, não apaga a enorme diferença entre os resultados obtidos nem significa que os dois tenham sido eleitos originalmente pelo mesmo tipo de eleitor.

Nikolas recebeu 1.492.047 votos em Minas Gerais. Alessandra conquistou 258.907 votos no Pará. O mineiro teve, portanto, 5,76 vezes a votação da paraense, uma diferença de 1.233.140 votos.

Resultado de 2022Nikolas FerreiraAlessandra Haber
Votos recebidos1.492.047258.907
Percentual dos votos válidos13,34%5,71%
Segundo colocado no estadoAndré Janones: 238.967Éder Mauro: 205.543
Vantagem sobre o segundo1.253.08053.364

Nikolas foi eleito como símbolo da direita

Nikolas já chegou à eleição de 2022 com uma identidade ideológica definida. Vereador de Belo Horizonte, evangélico, defensor de pautas conservadoras e apoiador de Jair Bolsonaro, construiu uma audiência nacional principalmente pelas redes sociais.

Seu eleitorado não o escolheu apenas para representar Minas Gerais. Uma parcela expressiva votou para transformá-lo em uma das principais vozes da direita no Congresso.

O resultado confirma essa concentração. Nikolas recebeu 6,24 vezes a votação do segundo colocado em Minas, André Janones. Também terminou como o deputado federal mais votado do Brasil em números absolutos e alcançou a terceira maior votação da história da Câmara até aquele momento.

Atualmente, continua no PL e ocupa posição formal entre os vice-líderes da oposição na Câmara.

Alessandra foi eleita por uma base mais ampla

O caminho de Alessandra foi diferente. Em 2022, ela não disputou pelo atual campo de oposição. Foi eleita pelo MDB, dentro da estrutura política que reelegeu Helder Barbalho ao governo com mais de 70% dos votos e conquistou nove das 17 cadeiras paraenses na Câmara.

Médica, primeira-dama de Ananindeua e estreante nas urnas, Alessandra reuniu votos ligados mais à administração municipal de seu marido, o ex-prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, do que à sua imagem pessoal, à capilaridade do MDB e ao grupo governista estadual. Sua votação, portanto, não pode ser classificada retrospectivamente como exclusivamente conservadora ou antilulista.

Novata na política em 2022, Alessandra superou Éder Mauro, do PL, por 53.364 votos. Foi uma vitória expressiva, mas bem menos concentrada que a de Nikolas em Minas.

Após romper com o MDB, Alessandra filiou-se ao Podemos e passou a integrar um projeto estadual de oposição ao grupo governista, aproximando-se mais claramente do eleitorado conservador. Seu vínculo atual com esse campo é real, mas mais recente que o de Nikolas.

Minas é dividida; Nikolas mobiliza um dos lados

Minas Gerais revelou em 2022 um eleitorado profundamente dividido. Lula venceu Bolsonaro no segundo turno por apenas 50,20% a 49,80%, diferença inferior a 50 mil votos. O estado também reelegeu Romeu Zema, do Novo, no primeiro turno, enquanto o PL conquistou 11 deputados federais e o PT elegeu dez.

É justamente nesse ambiente equilibrado que a votação de Nikolas chama atenção. Ele conseguiu concentrar em torno do próprio nome uma parte relevante do eleitorado bolsonarista, religioso, jovem e mobilizado digitalmente.

A oposição a Lula funciona para ele como elemento de fidelização. Quanto maior a polarização, maior tende a ser sua capacidade de engajar seguidores, dominar as redes e transformar posicionamentos políticos em votos.

O risco está no outro lado da moeda: a mesma identidade que fortalece sua base também eleva a rejeição entre eleitores de centro e de esquerda. Nikolas não depende apenas do tamanho da direita mineira, mas de sua capacidade de continuar sendo o nome preferencial dentro dela.

No Pará, a direita é numerosa, mas ainda minoritária

No segundo turno de 2022, Lula venceu no Pará com 54,75%, enquanto Bolsonaro recebeu 45,25%. Apesar da vitória petista, mais de dois milhões de paraenses votaram no então presidente, demonstrando que o campo conservador possui força eleitoral considerável no estado.

Esse segmento costuma responder positivamente a discursos relacionados à religião, família, segurança pública, rejeição ao PT e críticas às pautas progressistas. É exatamente nesse espaço que Alessandra busca ampliar sua presença.

A mudança pode ajudá-la a conquistar eleitores que, em 2022, preferiram outros candidatos identificados com a direita. Por outro lado, também cria um desafio: conservar os votos recebidos quando ainda fazia parte do MDB e da base governista estadual.

Enquanto Nikolas possui um eleitorado mais ideológico, nacionalizado e diretamente associado à sua imagem, Alessandra terá de demonstrar quanto dos seus 258.907 votos pertence efetivamente a ela e quanto estava relacionado à estrutura partidária e política que a apoiou naquele momento.

O teste das urnas

A identidade conservadora tende a beneficiar os dois, mas de maneiras diferentes. Para Nikolas, ela representa continuidade e consolidação. Para Alessandra, significa reposicionamento e tentativa de reconstruir a composição de sua votação.

Em Minas, o desafio de Nikolas é repetir ou ampliar um fenômeno nacional. No Pará, o desafio de Alessandra é preservar uma liderança estadual depois de trocar uma ampla base governista por um campo oposicionista mais ideológico e disputado.

A eleição deste ano ajudará a responder uma questão decisiva: Alessandra levou os votos do MDB e de sua relação com o governo de Helder Barbalho consigo ou terá de construir, praticamente do início, uma nova votação dentro da direita paraense?

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