Esportes

Vôlei brasileiro passa a exigir teste genético para atletas da categoria feminina; entenda

Nova política de elegibilidade da entidade será aplicada a partir da temporada 2026/2027 e prevê testagem do gene SRY

Por Sarah Carvalho
15/08/2026 às 17:35 • 3 min

Divulgação/CBV

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou nesta sexta-feira (14) uma nova política de elegibilidade para as competições da categoria feminina. A partir da implementação da medida, somente atletas do sexo biológico feminino poderão participar dos torneios organizados pela entidade.

A nova regra foi publicada pela CBV e, segundo a confederação, busca alinhar as competições nacionais aos critérios adotados atualmente no cenário internacional pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB).

Para verificar a elegibilidade das atletas, a política prevê a realização de testes e triagem do gene SRY, geralmente identificados por meio de exame de sangue ou coleta por esfregaço bucal.

Segundo o presidente da CBV, Radamés Lattari, a mudança acompanha as alterações nos parâmetros internacionais que regulamentam a participação nas competições de voleibol.

“Com a mudança dos parâmetros internacionais e da responsabilidade institucional, a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras que regem as competições nacionais com as hoje vigentes para as competições internacionais”, afirmou o dirigente.

Quando a nova regra entra em vigor

A política será aplicada às competições da Superliga A e B, temporada 2026/2027, além da Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta, e CBVP Challenger 2027.

A regra também será válida para as respectivas edições futuras das competições enquanto a política estiver em vigor.

Caso de Tiffany

Uma das atletas que pode ser diretamente afetada pela nova diretriz é Tiffany Abreu, mulher trans que atua pelo Osasco São Cristóvão Saúde.

Em fevereiro deste ano, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia autorizou a participação da jogadora em uma partida contra o Sesc RJ Flamengo, em Osasco. Na ocasião, a CBV havia recorrido ao STF para suspender uma lei municipal que restringia a participação de atletas transgêneros em eventos esportivos na cidade.

Ao analisar o caso, a ministra considerou que a legislação municipal contrariava a Constituição e representava um retrocesso nas políticas de igualdade de gênero e de promoção da dignidade humana.

A nova política anunciada pela CBV passa a estabelecer, agora, critérios próprios de elegibilidade para as competições femininas organizadas pela entidade.

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