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O mapa das organizadas por trás da segurança em Paysandu x Santa Cruz

Por Kaio Rodrigues
27/06/2026 às 10:03 • 3 min
O mapa das organizadas por trás da segurança em Paysandu x Santa Cruz

Terror Bicolor / Divulgação

Quando um jogo recebe uma operação reforçada de segurança, muitos torcedores associam a decisão apenas à rivalidade entre os clubes. No caso de Paysandu x Santa Cruz, válido pela Série C do Campeonato Brasileiro, neste sábado (27), às 17h, o cenário é mais complexo e passa pela forma como as torcidas organizadas se relacionam em diferentes regiões do país.

A principal organizada do Paysandu, a Terror Bicolor, e a Inferno Coral, do Santa Cruz, fazem parte da Dedo Para o Alto (DPA), a maior aliança de torcidas organizadas do Brasil, que conta com torcidas como a Força Jovem do Vasco, Mancha Verde do Palmeiras e Galoucura do Atlético Mineiro, que são chamadas de Trio de Ferro e consideradas as principais. À primeira vista, isso poderia indicar uma relação de proximidade entre os grupos, mas a realidade é diferente.

O que muda no Norte e Nordeste?

Ao longo dos anos, as alianças nacionais passaram a ter divisões regionais. No Norte e Nordeste, as organizadas se reorganizaram em dois grandes blocos, conhecidos como Lado A e Lado B, que redefinem amizades e rivalidades entre diversas torcidas.

É justamente aí que está a principal diferença.

Enquanto a Inferno Coral integra o Lado A, a Terror Bicolor faz parte do Lado B. Na prática, isso significa que, embora compartilhem a mesma aliança nacional, não existe uma relação direta de amizade entre as duas organizadas.

Outro detalhe é que a Inferno Coral não possui torcida aliada em Belém, nem mesmo com a Remoçada, do Clube do Remo, que também integra o Lado A no Norte e Nordeste, o que faz com que a presença dos visitantes seja tratada dentro de um planejamento específico de segurança.

Inferno Coral / Divulgação

Por que isso influencia no esquema da partida?

A relação entre Terror Bicolor e Inferno Coral ajuda a explicar por que Paysandu x Santa Cruz recebe uma atenção especial das forças de segurança. Embora as duas organizadas façam parte da DPA, elas estão em lados opostos na divisão regional e não mantêm uma relação de amizade.

Esse contexto faz com que partidas entre Paysandu e Santa Cruz sejam classificadas como confrontos que exigem planejamento específico. A ausência de vínculo entre as organizadas, somada ao histórico de ocorrências envolvendo torcedores dos clubes, leva as autoridades a adotar protocolos mais rigorosos para a partida.

Terror Bicolor / Divulgação

Um histórico que exige prevenção

A preocupação das autoridades também é sustentada pelo histórico do confronto. Em 2015, por exemplo, torcedores de Paysandu e Santa Cruz se envolveram em confrontos nas proximidades da Curuzu, episódio que reforçou a necessidade de protocolos mais rígidos em partidas entre as equipes.

Por isso, o duelo deste sábado contará com medidas como entrada antecipada da torcida visitante, setor totalmente isolado, biometria facial, acesso exclusivo e venda antecipada de ingressos, reduzindo as chances de contato entre grupos antes e depois da partida.

Mais do que reagir a possíveis ocorrências, a estratégia é agir de forma preventiva. A combinação entre o histórico do confronto, a dinâmica das alianças regionais e o deslocamento de caravanas faz com que Paysandu x Santa Cruz seja tratado como um dos jogos de maior atenção desta rodada da Série C.

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