Saúde

Mulheres em situação de violência e mães atípicas agora podem contar com teleatendimento psicológico oferecido pelo SUS

Serviço gratuito pode ser acessado pelo Meu SUS Digital e também atende familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras

Por Mayra Peniche
05/09/2026 às 11:34 • 4 min

Foto: Divulgação AgSUS

Mulheres em situação de violência, mães atípicas e familiares que dedicam parte da rotina ao cuidado de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras passaram a contar com uma nova modalidade de atendimento psicológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde disponibilizou até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental por meio do programa Acolhe Mais, acessível pelo aplicativo Meu SUS Digital.

A iniciativa busca ampliar o acesso ao cuidado psicológico para mulheres que muitas vezes enfrentam dificuldades para procurar atendimento presencial, seja pela própria situação de violência, pela distância dos serviços de saúde ou pela sobrecarga provocada pelas responsabilidades de cuidado.

O serviço começou em março de 2026 como projeto-piloto para mulheres em situação de violência nas cidades de Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ). Com a ampliação, passou a estar disponível em todo o país e incorporou também mães, tias, avós, irmãs e outros familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.

Atendimento psicológico sem encaminhamento

As consultas são realizadas remotamente por psicólogas capacitadas pelo Ministério da Saúde para oferecer escuta sensível e identificar situações de risco. Para solicitar o serviço, não é necessário ter um encaminhamento prévio.

No caso de mulheres que vivem ou viveram situações de violência, o primeiro atendimento avalia possíveis riscos, a rede de apoio disponível e as principais demandas apresentadas pela paciente. Cada usuária pode realizar inicialmente até 10 sessões, com possibilidade de iniciar um novo ciclo quando necessário.

Ao final do acompanhamento, a paciente pode ser encaminhada para continuidade do tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em outro serviço da rede de saúde.

O atendimento remoto funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h. A proposta é funcionar como uma porta de entrada para o cuidado e, quando necessário, conectar a paciente à rede de saúde do município.

A sobrecarga de quem cuida

A ampliação também contempla mulheres que exercem o papel de cuidadoras de familiares. O Ministério da Saúde considera que a rotina de cuidados pode envolver dificuldades de deslocamento, falta de tempo e ausência de uma rede de apoio, fatores que podem dificultar o acesso dessas mulheres aos serviços de saúde.

Segundo dados citados pelo Ministério da Saúde, 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo é realizado por mulheres, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A iniciativa pretende, portanto, oferecer um espaço de escuta também para quem costuma colocar as próprias necessidades em segundo plano diante das demandas de cuidado.

Violência contra mulheres

A oferta ocorre em um contexto de aumento das notificações de violência registradas pelos serviços de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, os registros de violência física, psicológica, sexual ou financeira contra mulheres passaram de 167,4 mil em 2015 para 348,5 mil em 2025, crescimento superior a 100% em uma década.

Para o Ministério da Saúde, os números reforçam a necessidade de ampliar as possibilidades de acolhimento e acompanhamento psicológico para mulheres que enfrentam situações de violência.

Como acessar

O atendimento pode ser solicitado pelo Meu SUS Digital, aplicativo oficial do SUS.

Para acessar:

  1. Entre no aplicativo Meu SUS Digital com a conta gov.br;
  2. Clique em “Miniapps”;
  3. Selecione “Acolhe Mais + Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”;
  4. A usuária será direcionada para a plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS);
  5. Informe se o atendimento está relacionado a uma situação de violência ou ao cuidado de um familiar;
  6. Após o cadastro, a equipe entra em contato para o agendamento.

Segundo o Ministério da Saúde, o contato ocorre em até 24 horas para que a usuária escolha a data e o horário da consulta.

Em situações de risco imediato, o serviço orienta a busca por atendimento de emergência, incluindo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou a Polícia Militar, pelo 190. O teleatendimento não substitui o atendimento emergencial nem os serviços presenciais da Rede de Atenção Psicossocial.

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