Cidades

Moradores denunciam que condomínio foi entregue diferente do prometido em Ananindeua

Proprietários dos lotes afirmam que receberam um condomínio diferente do prometido e relatam problemas na obra e no registro dos imóveis

Por Elielson Almeida
28/07/2026 às 11:43 • 4 min

Compradores denunciam diferenças entre projeto e obra de condomínio em Ananindeua. (Foto: reprodução)

Proprietários de lotes do Condomínio Bosque das Orquídeas, localizado às margens da BR-316, em Ananindeua, denunciaram uma série de supostas irregularidades envolvendo a entrega do empreendimento imobiliário. As reclamações incluem divergências entre o que teria sido apresentado durante a comercialização e o que foi efetivamente construído, apontamentos técnicos sobre a obra e entraves para o registro definitivo dos imóveis.

O portal Estado do Pará Online teve acesso a um conjunto de documentos encaminhados pelos moradores, entre eles laudos técnicos, pareceres de engenharia, memorial descritivo, notificações extrajudiciais, registros fotográficos, documentos do Registro de Imóveis e projetos do empreendimento.

Segundo os proprietários, as diferenças começam pelas áreas comuns do condomínio. Durante a comercialização, eles receberam memorial descritivo, projetos e imagens que mostravam como seria o empreendimento. Hoje, afirmam que parte das estruturas previstas não foi construída como apresentada ou sofreu alterações durante a execução da obra.

Entre os espaços citados pelos moradores estão a Praça das Orquídeas, praça de esportes, espaço gourmet, sala de jogos, quiosques e outras áreas de convivência. A denúncia é acompanhada por comparações entre os projetos utilizados na venda dos lotes e imagens atuais do condomínio.

Memorial descritivo previa áreas de lazer e convivência; moradores afirmam que espaços foram alterados durante a execução da obra. (Foto: reprodução)

As reclamações também são sustentadas por laudos técnicos elaborados por um engenheiro contratado pelo condomínio. Nos documentos, o profissional aponta uma série de não conformidades relacionadas à execução da obra, à documentação técnica e à compatibilidade entre os projetos e o empreendimento construído. Segundo os laudos, as pendências identificadas deveriam ser corrigidas antes do recebimento definitivo da obra.

As denúncias também envolvem o muro do condomínio. Segundo os moradores, parte da estrutura desabou e precisou ser reconstruída. Eles afirmam que o problema voltou a ocorrer após a intervenção, levantando novos questionamentos sobre a execução da obra. Imagens obtidas pelo EPOL mostram trechos do muro no chão,

Moradores afirmam que muro desabou e cobram providências da construtora. (Foto: reprodução)

Além das questões estruturais, os proprietários afirmam enfrentar dificuldades para registrar os lotes adquiridos. Um ofício encaminhado pelo Registro de Imóveis de Ananindeua à Corregedoria Geral de Justiça informa que existem pendências relacionadas à matrícula do empreendimento, o que levou à devolução de títulos apresentados para registro. Segundo o documento, enquanto a situação não for regularizada, determinados atos registrais permanecem impedidos.

De acordo com os moradores, as pendências impedem que dezenas de compradores concluam a regularização dos imóveis e trazem insegurança para quem investiu no condomínio.

Laudo técnico identifica pendências na obra e questiona as condições para o recebimento do empreendimento. (Foto: reprodução)

Em resposta ao EPOL a Construtora Pinheiro & Sereni afirma que possui procedimentos administrativos e judiciais em andamento para garantir a regularização registral do empreendimento. Já em relação as discrepâncias entre o proposto e o entregue, a empresa afirma que a não utilização integral das áreas comuns é relacionada a questões internas da gestão condominial, que já possui síndico, vice-síndico e administração regularmente constituída. A gestora reconhece que há pontos pendentes na entrega como um espaço pet e uma praça, mas cita que a solução depende de definição do condomínio entre a execução ou um eventual ressarcimento, destacando que essas questões não impediram o recebimento ou a utilização do condomínio. Por último, a construtora afirma jamais ter deixado de manter diálogo com o condomínio, reforçando que permanece à disposição para solucionar qualquer questão abrangida pelas garantias legais e contratuais.

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