Política

PF aponta cobranças de Flávio Bolsonaro a dono do Banco Master por filme sobre Bolsonaro

Relatórios da investigação mostram mensagens do senador a Daniel Vorcaro sobre parcelas atrasadas da produção de “Dark Horse”

Por Elielson Almeida
12/09/2026 às 13:19 • 3 min

Mensagens obtidas pela PF mostram cobranças por parcelas atrasadas e tratativas sobre o envio de milhões de dólares para os Estados Unidos. (Fotos: Vittor Sales / Divulgação Banco Master)

Relatórios da Polícia Federal (PF) tornados públicos detalham conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a investigação, Flávio teria pedido R$ 131 milhões a Vorcaro para a produção do longa. Desse valor, R$ 60 milhões teriam sido pagos. As mensagens analisadas pela PF também apontam possíveis encontros presenciais entre o senador e o banqueiro e a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na articulação para envio de recursos aos Estados Unidos.

Cobranças por parcelas atrasadas

Em 8 de setembro de 2025, Flávio procurou Vorcaro para cobrar parcelas que estariam atrasadas. Em um áudio analisado pela PF, o senador demonstrou preocupação com os impactos dos atrasos sobre a produção do filme e mencionou os atores Jim Caviezel e Cyrus, envolvidos no projeto.

Dias antes, em agosto de 2025, o publicitário Thiago Miranda, apontado como intermediário dos repasses, também teria cobrado Vorcaro sobre pagamentos pendentes.

A PF identificou ainda mensagens diretas entre Flávio e Vorcaro a partir de 20 de agosto de 2025. Para os investigadores, uma das conversas sugere a possibilidade de um encontro presencial entre os dois naquela data.

Mensagem de Eduardo Bolsonaro

Em março de 2025, Thiago Miranda teria enviado a Vorcaro uma captura de tela de uma conversa com Eduardo Bolsonaro. Na mensagem, o ex-deputado tratava da necessidade de manter os recursos nos Estados Unidos e mencionava dificuldades caso as transferências fossem feitas diretamente por uma empresa brasileira.

A Procuradoria-Geral da República também citou o diálogo durante a análise das movimentações financeiras.

A PF solicitou documentos societários, contábeis, fiscais, bancários e contratuais da Go Up Entertainment LLC, produtora relacionada ao filme. A empresa, por meio de Michael Davis, que se apresenta como sócio majoritário, questionou o envio direto de documentos mantidos nos Estados Unidos às autoridades brasileiras sem o cumprimento dos mecanismos de cooperação jurídica internacional.

Os documentos são considerados pelos investigadores relevantes para esclarecer a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro e os possíveis beneficiários finais.

Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro negam irregularidades relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”. As apurações fazem parte do conjunto de investigações relacionadas ao caso Banco Master.

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