Eleições 2026

Milei virou “tiro pela culatra” para Flávio Bolsonaro, aponta pesquisa

O apoio de Javier Milei a Flávio Bolsonaro pode ter criado um problema justamente para quem pretendia transformar a aliança entre os dois em uma demonstração de força da direita internacional.

Por Estado do Pará Online
10/08/2026 às 11:28 • 3 min

Milei e Flávio em 25 de julho, durante convenção em São Paulo que oficializou a candidatura do senador à presidência. (foto: divulgação)

Segundo um recorte da pesquisa Genial/Quaest, o apoio do presidente argentino aumenta a chance de voto em Lula para 34% dos brasileiros, enquanto 27% afirmam que ficam mais propensos a votar em Flávio Bolsonaro. Ou seja: pelo menos neste levantamento, o apoio de Milei parece provocar uma reação maior entre os eleitores favoráveis ao atual presidente do que entre aqueles que poderiam ser atraídos pelo candidato do PL.

A diferença é de sete pontos percentuais e coloca uma questão incômoda para a campanha de Flávio: o apoio de um dos principais nomes da direita latino-americana pode estar ajudando a mobilizar justamente o eleitorado que rejeita o bolsonarismo?

O “efeito Milei” pode ser diferente do esperado

A pesquisa não mostra que eleitores de Flávio estejam migrando para Lula por causa de Milei. O que os números revelam é outra coisa: quando questionados sobre o impacto do apoio do argentino, uma parcela maior declara aumentar sua possibilidade de votar em Lula. E há outro dado que chama atenção. 17% dos entrevistados dizem que o apoio de Milei aumenta a chance de escolher um terceiro candidato, que não seja nem Lula nem Flávio Bolsonaro.

Entre eleitores que não votaram, anularam ou votaram em branco no segundo turno de 2022, o percentual chega a 35%. É justamente aí que pode estar uma das maiores dores de cabeça para os dois principais campos da disputa: o eleitor que não quer repetir a polarização pode estar reagindo ao envolvimento de Milei não escolhendo um dos lados, mas procurando uma terceira alternativa.

E tem um detalhe ainda mais surpreendente

Toda essa discussão acontece enquanto mais da metade dos brasileiros sequer sabe que Milei declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Segundo a Genial/Quaest, 55% dos entrevistados desconhecem o apoio, contra 45% que afirmam saber da manifestação. O desconhecimento é ainda maior no Nordeste, onde chega a 64%, e no Centro-Oeste/Norte, com 58%. No Sul, metade dos entrevistados afirma conhecer o apoio.

Isso significa que o chamado “efeito Milei” pode estar sendo medido em um cenário no qual uma parcela expressiva do eleitorado ainda nem foi exposta à informação.

Milei pode ajudar Flávio ou fortalecer Lula?

A aposta de Flávio Bolsonaro ao receber o apoio de Milei parece clara: aproximar sua candidatura de uma liderança internacional identificada com a direita e reforçar a imagem de continuidade de um projeto político que ultrapassa as fronteiras brasileiras. Mas política eleitoral raramente funciona de maneira tão linear.

Para parte do eleitorado, Milei pode representar uma referência positiva de direita. Para outra parcela, sua presença pode funcionar como um sinal de alerta e reforçar a preferência por Lula. E existe ainda um terceiro grupo que pode simplesmente rejeitar os dois polos. É essa divisão que transforma o apoio de Milei em um elemento potencialmente explosivo para a eleição.

O argentino entrou na disputa para fortalecer Flávio. Os números, porém, mostram que seu primeiro impacto pode estar sendo exatamente o oposto: aumentar a disposição de voto em Lula e estimular parte do eleitorado a procurar um terceiro nome.

A pesquisa Genial/Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem máxima de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-06591/2026.

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