O Pará registrou o pior desempenho socioambiental do Brasil no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado nesta quarta-feira (20). O estudo, liderado pelo Imazon em parceria com organizações globais, avaliou os 5.570 municípios brasileiros e revelou que 11 das 20 cidades com os piores índices de qualidade de vida do país estão em território paraense. Na escala de 0 a 100, o estado obteve uma média de apenas 55,80, ocupando a última posição entre as 27 unidades federativas.
O mapa da vulnerabilidade
O ranking negativo nacional evidencia uma severa concentração de baixos indicadores sociais e ambientais na Amazônia Legal, sobretudo em municípios de baixa densidade demográfica do interior paraense. Jacareacanga, no sudoeste do estado, apresentou o pior resultado do Pará e o segundo pior do Brasil, com uma nota de 44,32, ficando à frente apenas de Uiramutã (RR).
Além de Jacareacanga, outras dez cidades paraenses figuram no topo da lista de pior bem-estar do país:
- Portel (45,42)
- Pacajá (45,87)
- Anapu (45,91)
- Uruará (46,80)
- Trairão (46,82)
- Bannach (47,23)
- São Félix do Xingu (47,38)
- Cumaru do Norte (47,43)
- Oeiras do Pará (47,57)
- Anajás (47,62)
Belém
Belém aparece na 21ª colocação entre as 27 capitais brasileiras, com uma pontuação de 63,90. O desempenho deixa a sede da COP 30 atrás de vizinhas regionais como Palmas (TO), que lidera o Norte na 9ª posição geral, Manaus (AM) em 19º e Boa Vista (RR) em 20º.
No topo nacional das capitais, Curitiba (PR) lidera com 71,29, seguida por Brasília (DF) com 70,73 e São Paulo (SP) com 70,64. Na outra ponta, as únicas capitais fora do grupo de melhores desempenhos foram Macapá (AP) e Porto Velho (RO).
Diferença entre renda e bem-estar
O IPS Brasil se diferencia de indicadores econômicos tradicionais, como o Produto Interno Burto (PIB), por mensurar se a riqueza produzida se traduz de fato em benefícios para a população. A metodologia coleta dados oficiais de fontes públicas (como o IBGE, DataSUS, Inep e MapBiomas) consolidados até 20 de fevereiro de 2026.
A análise é dividida em três dimensões estruturais e 12 componentes específicos:
- Necessidades Humanas Básicas: Nutrição e cuidados médicos básicos, água e saneamento, moradia e segurança pessoal.
- Fundamentos do Bem-Estar: Acesso ao conhecimento básico, acesso à informação e comunicação, saúde e bem-estar, e qualidade do meio ambiente.
- Oportunidades: Direitos individuais, liberdades individuais e de escolha, inclusão social e acesso à educação superior.
Leia também:









Deixe um comentário