Saúde

IA pode mudar diagnóstico do câncer na Amazônia; Belém recebe workshop

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores busca apoiar médicos diante dos desafios de acesso à saúde especializada na região

Por Kaio Rodrigues
08/08/2026 às 14:29 • 4 min

Créditos: divulgação

A inteligência artificial começa a ser testada como aliada no diagnóstico antecipado do câncer de mama na Amazônia, onde as grandes distâncias e a distribuição desigual de especialistas podem dificultar o acesso a avaliações mais precisas.

A proposta desenvolvida por pesquisadores busca justamente aproximar tecnologia e saúde para enfrentar uma realidade regional: nem todas as pacientes conseguem contar com especialistas disponíveis para analisar exames de imagem com a mesma rapidez.

O projeto utiliza informações clínicas, histórico familiar, fatores de risco e imagens de ultrassonografia mamária para auxiliar na avaliação de possíveis lesões.

Tecnologia para enfrentar um desafio amazônico

Na região amazônica, o acesso aos serviços de saúde pode ser impactado pelas distâncias entre municípios e pela concentração de profissionais especializados nos grandes centros.

É nesse cenário que a pesquisa pretende utilizar ferramentas computacionais como suporte à análise médica. A tecnologia pode contribuir para que exames realizados em diferentes localidades tenham acesso a uma avaliação mais qualificada.

Os dados das pacientes são inseridos no Sidcam (Sistema Inteligente de Apoio ao Diagnóstico do Câncer de Mama), plataforma desenvolvida dentro do projeto DeepBI-RADS.

A ferramenta auxilia na análise das imagens de ultrassonografia e na identificação de características das lesões, como forma, tamanho e orientação.

Em seguida, os dados clínicos são combinados com os achados das imagens para uma classificação baseada no BI-RADS, sistema utilizado internacionalmente para padronizar avaliações e orientar a conduta médica.

A tecnologia, porém, não substitui o especialista. A decisão diagnóstica e clínica permanece sob responsabilidade do profissional de saúde.

Solução pode conectar diferentes localidades

Um dos potenciais apontados pelos pesquisadores está justamente na possibilidade de levar o suporte da ferramenta para locais onde a oferta de especialistas é menor.

O coordenador do INCT IAmazônia e do Laboratório de Inteligência Artificial aplicada a Cidades Inteligentes (LabCity), professor Renato Francês, destaca a possibilidade de utilizar os resultados como apoio a médicos que estejam em diferentes pontos da região.

“A inteligência artificial pode apontar, com grau de certeza grande, a possível presença da neoplasia na paciente. Esse laudo pode ser enviado para médicos em diversos locais e confirmar, ou não, o diagnóstico. Desta forma, a IA passa a ser uma técnica de suporte fenomenal ao médico”, destacou.

A perspectiva ganha importância em uma região em que o atendimento especializado nem sempre está próximo da população. A proposta é que a tecnologia possa ajudar a reduzir parte dessa distância entre o exame realizado e a avaliação especializada.

Pesquisa será apresentada em workshop

Os primeiros resultados da pesquisa serão apresentados durante o I Workshop Amazônico Deep BI-RADS, marcado para os dias 13 e 14 de agosto.

UFPA

O encontro vai discutir a aplicação de tecnologia no diagnóstico do câncer de mama e reunirá pesquisadores, profissionais da saúde, especialistas em inteligência artificial, estudantes e gestores públicos.

Entre os assuntos previstos estão as diferenças regionais na interpretação de lesões mamárias e o uso de ferramentas tecnológicas para antecipar diagnósticos.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo, da Pontifícia Universidad Católica del Perú e da Universidad de los Andes também participam da programação.

Evento terá inscrição gratuita

As atividades serão realizadas no Guamá Hub, no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, e no Centro de Computação de Alto Desempenho da UFPA.

A programação é gratuita e voltada principalmente a profissionais das Ciências da Saúde que trabalham ou tenham interesse na aplicação de inteligência artificial.

O workshop integra o projeto DeepBI-RADS: Deep Learning para a Antecipação Diagnóstica de Câncer de Mama, aprovado na Chamada Pública MCTI/CNPq nº 03/2025 – Pró-Amazônia.

Com informações da UFPA


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