A interdição do Prédio Central da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), após o vazamento de um reagente químico considerado altamente volátil e tóxico, desencadeou uma série de denúncias feitas por alunos, professores e servidores que apontam possíveis falhas estruturais e uma crise de segurança institucional dentro da universidade.
Relatos exclusivos recebidos pela reportagem do portal Estado do Pará On-line (EPOL) indicam que o incidente ocorrido no laboratório de Fisiologia Vegetal pode estar ligado a problemas antigos de infraestrutura, especialmente ao avanço de infiltrações no telhado do prédio. Mensagens internas, imagens e depoimentos compartilhados pela comunidade acadêmica mostram goteiras em laboratórios, áreas alagadas, rachaduras em paredes e riscos elétricos que já vinham sendo denunciados antes do episódio.
Dias antes do vazamento, um integrante da comunidade universitária havia questionado publicamente, nas redes sociais da Prefeitura Universitária, se o prédio oferecia condições seguras de funcionamento. Na manifestação, foram citadas infiltrações intensas, pisos molhados e danos estruturais visíveis mesmo com o uso contínuo das instalações.
Após o incidente, professores e servidores afirmaram que permaneceram por horas no local sem informações claras sobre qual substância havia vazado e sem a adoção imediata de um protocolo amplo de evacuação. Segundo mensagens compartilhadas internamente, pessoas relataram forte odor nos corredores durante a manhã, além de sintomas como dores de cabeça e sensação de exposição prolongada antes da comunicação oficial do ocorrido.
Entre membros da universidade, a principal preocupação é que o episódio não seja tratado como um fato isolado. De acordo com os relatos, infiltrações causadas por chuvas na ala C e em outras áreas do Prédio Central já haviam sido apontadas semanas antes. Fotografias mostram forros comprometidos, danos no telhado e espaços posteriormente isolados por fitas de interdição.
Uma das hipóteses discutidas internamente é que a entrada de água da chuva teria atingido o local onde materiais laboratoriais estavam armazenados, provocando a queda de recipientes e o rompimento de um frasco contendo substância perigosa. Docentes também destacam que, independentemente da infiltração, reagentes químicos dessa natureza deveriam estar acondicionados em condições seguras, o que levanta duas possíveis frentes de responsabilização: a precariedade estrutural do prédio e eventual descumprimento de normas técnicas de armazenamento.
O caso se soma a outras queixas recentes envolvendo infraestrutura da universidade, como falhas estruturais, interrupções de atividades e riscos elétricos em unidades acadêmicas. Para parte da comunidade universitária, o episódio evidencia um cenário em que problemas administrativos passam a representar risco direto à saúde e à integridade física de estudantes e trabalhadores.
Em nota enviada à reportagem na tarde de terça-feira (18), a UFRA informou que o vazamento envolveu uma pequena quantidade de reagente químico e ocorreu durante a organização de materiais laboratoriais destinados à transferência para novas instalações. A instituição afirmou que a ala C foi evacuada imediatamente, o prédio interditado de forma preventiva e o Corpo de Bombeiros Militar do Pará acionado para realizar a contenção e retirada segura do material.
Segundo a universidade, não houve registro de feridos nem necessidade de atendimento médico, e as atividades administrativas foram suspensas temporariamente para ventilação do ambiente devido ao odor intenso e à volatilidade do composto. A UFRA também destacou que o período de recesso acadêmico evitou impactos nas aulas e informou previsão de retomada das atividades no prédio nesta quarta-feira (19).
A reportagem voltou a procurar a universidade para comentar especificamente as denúncias relacionadas às condições estruturais e aos protocolos de segurança apontados pela comunidade acadêmica e aguarda posicionamento oficial.
Leia também:









Deixe um comentário