O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, comentou nesta terça-feira (12), em Belém, a repercussão envolvendo o caso Banco Master e afirmou que os sinais de problemas envolvendo a instituição financeira já eram visíveis havia bastante tempo. Durante discurso no 2º Congresso Nacional da Defensoria Pública em Direitos Fundamentais, Dino declarou que “muitos não queriam ver” o que estava acontecendo no mercado.
“Eu brinquei numa audiência dizendo que era um elefante pintado de azul. Ninguém viu. E vocês sabem por que ninguém viu? Porque muitos não queriam ver”, afirmou o ministro durante a palestra.
Ao explicar a metáfora, Dino comparou produtos financeiros oferecidos pelo banco a promessas irreais de investimento. “Tinha muita gente ganhando dinheiro vendendo produtos que representavam, na verdade, lote em Júpiter”, disse. Segundo ele, os altos rendimentos oferecidos deveriam ter servido como alerta para o mercado.

O ministro citou como exemplo aplicações que chegavam a oferecer retorno de até 140% do CDI. “Quando alguém oferece 140% do CDI, você é obrigado a dizer: ‘Tem alguma coisa esquisita’. Isso não é normal”, afirmou.
Flávio Dino também criticou outras instituições financeiras que, segundo ele, continuaram distribuindo produtos ligados ao banco mesmo diante dos riscos. “Outros bancos também vendiam os produtos desse banco. E por que vendiam? Porque enquanto o mercado trabalha com taxa de administração de meio por cento, um por cento, esse banco pagava 4% para quem distribuísse os produtos”, declarou.

A declaração foi dada durante participação no segundo dia do Congresso Nacional da Defensoria Pública em Direitos Fundamentais: Proteção, Cidadania e Justiça Constitucional, realizado no Hangar Centro de Convenções, em Belém, pela Defensoria Pública do Estado do Pará.
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