Brasil

Dois novos casos de possível cura do HIV são anunciados durante a 26ª Conferência Internacional Sobre Aids

Pacientes estão há pelo menos um ano sem usar medicamentos antirretrovirais e não apresentam sinais detectáveis do vírus; especialistas ressaltam que ainda é cedo para falar em cura definitiva

Por Felipe Borges
28/07/2026 às 09:01 • 3 min

Foto: Reprodução/Internet

Mais dois casos de possível cura do HIV foram anunciados nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro. Com os novos registros, o número de pacientes considerados em possível remissão da infecção chega a 13 em todo o mundo.

Os dois pacientes receberam transplantes de células-tronco para tratar outras doenças graves e permanecem há pelo menos um ano sem utilizar medicamentos antirretrovirais, sem que exames tenham detectado a presença do vírus com capacidade de se multiplicar no organismo. Apesar dos resultados considerados promissores, pesquisadores destacam que os casos ainda seguem em acompanhamento antes que possam ser classificados como cura definitiva.

Paciente de 21 anos está há 14 meses sem sinais do vírus

Um dos casos apresentados é o do chamado “paciente do Kansas”, um homem de 21 anos que vivia com HIV e tratava uma forma agressiva de leucemia. Ele recebeu um transplante de células-tronco de uma doadora com a mutação genética CCR5-delta32, associada à resistência ao vírus.

Após um segundo transplante, os médicos suspenderam o tratamento antirretroviral em fevereiro de 2025. Quatorze meses depois, exames continuam sem detectar o HIV nem células infectadas capazes de reativar a infecção.

O segundo paciente, que convivia com duas variantes do HIV, também recebeu um transplante de células-tronco de um doador com a mutação CCR5-delta32. Quatro anos após o procedimento, o tratamento antirretroviral foi interrompido e, um ano depois, exames seguem sem identificar vírus capaz de se multiplicar.

Especialistas evitam falar em cura definitiva

Apesar dos resultados, pesquisadores ainda evitam classificar os casos como cura definitiva. Isso porque o HIV pode permanecer oculto em reservatórios do organismo e voltar a se manifestar mesmo após longos períodos sem ser detectado. Por esse motivo, os pacientes continuam sendo acompanhados por vários anos.

Todos os casos de possível remissão registrados até hoje ocorreram em pacientes que precisaram de transplantes de células-tronco para tratar doenças como leucemia e linfoma. 

Por envolver riscos elevados, o procedimento não é considerado uma alternativa para o tratamento do HIV em larga escala.

Conferência reúne especialistas para discutir avanços no combate ao HIV

Os casos foram apresentados durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro, que reúne especialistas de diversos países para discutir pesquisas, prevenção, tratamento e os desafios no enfrentamento da epidemia.

Segundo dados apresentados no evento, mais de 40 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo e cerca de 32 milhões têm acesso ao tratamento antirretroviral. Embora os avanços tenham reduzido as mortes e ampliado a qualidade de vida dos pacientes, especialistas afirmam que ainda é necessário ampliar o acesso à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e às pesquisas voltadas para uma possível cura.

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