A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra afirmou, em carta divulgada nesta terça-feira (26), que é alvo de “perseguição” e negou qualquer ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Presa desde a última quinta-feira (21), ela é investigada em uma operação que apura suspeita de lavagem de dinheiro ligada à facção criminosa.
No texto, ditado à irmã Dayanne Bezerra, a influenciadora afirma que nunca integrou organizações criminosas e relaciona a prisão ao fato de ser uma pessoa pública e influente nas redes sociais. Segundo ela, a investigação envolve um pagamento de R$ 24,5 mil recebido durante atuação profissional como advogada.
Deolane sustenta que o valor corresponde a honorários advocatícios e afirma que o depósito foi feito diretamente em sua conta pessoal, sem ligação com a transportadora citada nas investigações do Ministério Público.

A operação que resultou na prisão da influenciadora faz parte de uma investigação iniciada em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos escondidos em celas da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. A partir das apurações, investigadores chegaram a uma transportadora de cargas suspeita de funcionar como empresa de fachada para movimentação de dinheiro ligado ao PCC.
Segundo o Ministério Público, a empresa realizava transferências para contas de terceiros para ocultar a origem dos recursos investigados. Entre as contas citadas no inquérito estariam duas vinculadas ao nome de Deolane Bezerra.
Influenciadora diz que nunca foi ouvida
Na carta, a influenciadora também afirma que nunca esteve na Penitenciária de Presidente Venceslau e diz ter construído a carreira atuando em centenas de processos judiciais. Ela ainda negou informações divulgadas sobre a existência de dezenas de empresas ligadas ao próprio nome.
A advogada declarou ainda que nunca havia sido chamada oficialmente para prestar esclarecimentos sobre o caso antes da prisão. No relato, ela critica a forma como a operação policial foi conduzida e afirma que foi surpreendida dentro de casa por agentes armados, sem oportunidade prévia de defesa.
No domingo (24), o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa da influenciadora. Os advogados aguardam agora o julgamento do mérito e avaliam recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Um dia antes, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também rejeitou um pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa, afirmando não identificar ilegalidade evidente na prisão.
Atualmente, Deolane está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Ao final da carta, a influenciadora voltou a negar envolvimento com atividades criminosas e afirmou confiar que conseguirá provar inocência na Justiça.
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