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Calor, seca e ilhas de calor: o que o novo El Niño pode significar para Belém

Por Ludmila Viana
17/06/2026 às 22:37 • 4 min

Crédito: Jader Paes

O retorno do El Niño em 2026, apontado pela agência científica norte-americana NOAA, reacendeu alertas sobre os possíveis impactos do fenômeno na Amazônia. Após uma seca histórica registrada em 2024, especialistas voltam a chamar atenção para riscos como temperaturas mais elevadas, redução das chuvas e aumento de queimadas, cenários que também podem afetar cidades amazônicas como Belém.

Belém, que sediou a COP30 em novembro de 2025 e esteve no centro das discussões globais sobre mudanças climáticas, volta a ser observada quando o assunto é preparação para eventos climáticos extremos. Com a chegada do verão amazônico e a previsão de um novo El Niño, cresce o debate sobre como a capital paraense pretende enfrentar possíveis períodos de calor intenso, redução das chuvas e agravamento das ilhas de calor urbanas.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico. Embora seja um fenômeno natural e recorrente, especialistas apontam que seus efeitos vêm sendo potencializados pelas mudanças climáticas e pela perda de cobertura vegetal.

O que pode acontecer na Amazônia

De acordo com informações divulgadas pelo Greenpeace, os impactos mais comuns do El Niño na região Norte incluem redução das chuvas, temperaturas mais elevadas, prolongamento dos períodos secos e aumento do risco de incêndios florestais.

Além dos efeitos ambientais, o fenômeno também pode provocar reflexos diretos na vida da população. A piora da qualidade do ar durante períodos de fumaça intensa pode agravar problemas respiratórios, enquanto a redução das chuvas afeta comunidades que dependem dos rios para transporte, abastecimento e atividades econômicas.

Os impactos também podem chegar ao orçamento das famílias paraenses, influenciando preços de alimentos, custos com água e energia e prejuízos associados a eventos climáticos extremos.

Especialista alerta para necessidade de preparação

Em entrevista ao Jornal da USP, o professor Pedro Luiz Côrtes, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que não é necessário um El Niño de grande intensidade para que ocorram eventos climáticos extremos.

Segundo ele, o fenômeno costuma aumentar as chuvas na Região Sul e favorecer períodos de seca mais severos nas regiões Norte e Nordeste. No Sudeste, os efeitos variam conforme a época do ano, mas geralmente estão relacionados ao aumento das temperaturas e alterações no regime de chuvas.

O pesquisador destaca ainda a importância de acompanhar informações oficiais e boletins emitidos por órgãos especializados, como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), para que a população possa se preparar diante de possíveis impactos.

O que já foi anunciado pela Prefeitura de Belém

Entre as iniciativas divulgadas pela Prefeitura de Belém para enfrentar desafios ambientais está o programa Belém Mais Verde, que prevê o plantio de um milhão de árvores até o fim da atual gestão.

Segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), mais de 17 mil mudas já foram plantadas neste ano. O município também informou a implantação de sistemas agroflorestais, hortas comunitárias e jardins de chuva, ações voltadas para adaptação climática e fortalecimento da resiliência ambiental da cidade.

Diante da previsão de retorno do fenômeno e dos possíveis impactos para a capital paraense, o Estado do Pará Online (EPOL) entrou em contato com a Prefeitura de Belém para saber se existe algum plano específico de contingência ou novas estratégias voltadas ao enfrentamento dos efeitos de um possível Super El Niño.

Com a chegada do período mais seco na Amazônia, temas como arborização urbana, combate às ilhas de calor, prevenção de queimadas e adaptação às mudanças climáticas tendem a ganhar ainda mais espaço nos próximos meses.

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