Cadeia da Carne: MPT pede R$ 118 milhões da JBS por trabalho escravo no Pará - Estado do Pará Online

Cadeia da Carne: MPT pede R$ 118 milhões da JBS por trabalho escravo no Pará

Investigação aponta transações com fornecedores da "Lista Suja" em sete municípios paraenses

Créditos: divulgação

O Ministério Público do Trabalho (MPT) protocolou uma Ação Civil Pública de impacto bilionário contra a JBS S.A. A investigação aponta que a gigante do setor de proteínas manteve, entre 2014 e 2025, um fluxo comercial contínuo com fazendas que utilizavam mão de obra análoga à de escravo no interior do Pará.

O valor da indenização pleiteada é de R$ 118.941.340,55. A quantia corresponde exatamente ao volume financeiro das transações documentadas entre a empresa e pecuaristas flagrados na “Lista Suja” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O Rastro do “Gado Sujo”

A operação, parte do projeto Reação em Cadeia, utilizou inteligência de dados para cruzar notas fiscais com relatórios de fiscalização móvel. O resultado revelou um padrão: a JBS adquiriu gado de sete fornecedores diretos enquanto eles exploravam trabalhadores em condições degradantes.

“A empresa, na condição de líder, falhou no dever de monitorar sua cadeia produtiva e adotar práticas para prevenir violações fundamentais”, afirma o MPT.

Os municípios no radar da investigação:

  • Ourilândia do Norte e São Félix do Xingu;
  • Novo Repartimento e Pacajá;
  • Brasil Novo, Uruará e Cumaru do Norte.

2014–2025

Ao longo de uma década, operações de fiscalização retiraram 53 trabalhadores de situações de cárcere, servidão e falta de higiene em propriedades vinculadas à JBS. Mesmo com o conhecimento desses flagrantes, a companhia manteve as transações comerciais.

Dado GeralImpacto no Pará
Total de Resgatados53 trabalhadores
Indenização SolicitadaR$ 118,9 milhões
Unidades JBS no Estado6 fábricas e 1 centro de distribuição
Fornecedores no Pará+2.000 pecuaristas parceiros

Conexão socioambiental

A ação não mira apenas a multa. O MPT exige o cumprimento de 44 diretrizes de direitos humanos. No contexto amazônico, o órgão ressalta que o trabalho escravo na pecuária não é um crime isolado; ele caminha lado a lado com o desmatamento ilegal e a grilagem de terras.

Com um rebanho de 194 milhões de cabeças no Brasil, o setor vive sob pressão internacional por rastreabilidade.

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