Brasil

Banco Central avalia conectar Pix a sistemas internacionais e anuncia novas funções

A expectativa é que essas conexões reduzam custos e ampliem o acesso a operações financeiras internacionais

Por Sarah Carvalho
11/08/2026 às 07:13 • 4 min

O Banco Central (BC) estuda conectar o Pix a sistemas de pagamentos de outros países e a plataformas multilaterais de transferências instantâneas. A proposta pode permitir que brasileiros realizem pagamentos e remessas internacionais com recursos disponibilizados em moeda local em poucos segundos.

Segundo o BC, estão em análise tanto acordos diretos entre países quanto a participação do Pix em estruturas internacionais compartilhadas. A expectativa é que essas conexões reduzam custos e ampliem o acesso a operações financeiras internacionais.

As informações fazem parte do Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado nesta segunda-feira (10), que apresenta a agenda de novos produtos e funcionalidades planejados para o sistema.

Pix poderá funcionar sem internet

Entre as novidades estudadas pelo Banco Central está a possibilidade de realizar pagamentos por aproximação mesmo quando o usuário estiver sem conexão com a internet.

Outra proposta é o Pix Automático, que poderá ser utilizado para pagamentos recorrentes, como alternativa ao débito automático tradicional.

O BC também acompanha iniciativas de empresas brasileiras e estrangeiras que já utilizam o Pix em operações internacionais.

Fluxos futuros do Pix podem servir como garantia

O Banco Central avalia ainda uma possível integração do Pix ao mercado de crédito. A ideia é permitir que os chamados “fluxos futuros de Pix” sejam utilizados como garantia na contratação de financiamentos.

De acordo com o relatório, a medida poderia melhorar a qualidade das garantias oferecidas e contribuir para a redução do custo do crédito, principalmente para empresas que movimentam grande parte de seus recursos por meio do sistema de pagamentos instantâneos.

BC quer combater uso de mensagens para ameaças

Outro ponto analisado pela autoridade monetária envolve o campo de mensagens disponível nas transferências via Pix.

Criado originalmente para permitir o registro de informações relacionadas aos pagamentos, o recurso passou a ser utilizado em alguns casos para o envio de ofensas, ameaças e intimidações, inclusive em transferências de valores muito baixos.

Diante disso, o BC criou um grupo de trabalho para avaliar possíveis mudanças. A instituição poderá adotar novas regras para impedir o uso inadequado da ferramenta.

Sistema antifraude terá inteligência artificial

A segurança das operações também está entre as prioridades do Banco Central. A instituição prevê uma série de medidas para aprimorar o combate a fraudes no Pix.

Uma das propostas é estabelecer critérios objetivos mínimos para identificar transações suspeitas, evitando que cada instituição financeira adote parâmetros completamente diferentes para avaliar operações de risco.

O BC também pretende desenvolver um indicador capaz de calcular, em tempo real, a probabilidade de uma transação ser fraudulenta. A ferramenta deverá utilizar modelos de aprendizado de máquina e poderá ser disponibilizada aos bancos e demais instituições participantes para reforçar seus próprios sistemas de segurança.

Outra medida prevista é a padronização dos alertas de fraude e o aprimoramento do compartilhamento de informações entre instituições para facilitar o bloqueio cautelar de operações suspeitas.

O Banco Central também estuda ampliar as medidas cautelares disponíveis, incluindo restrições à criação de novas chaves Pix por instituições que possam representar riscos ao funcionamento do sistema.

Pix também está no centro de disputa com os Estados Unidos

O sistema de pagamentos brasileiro também aparece no contexto das recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano já criticou o Pix e o apontou como uma suposta prática desleal no mercado financeiro brasileiro.

A alegação é rejeitada pelo governo brasileiro. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que parte da preocupação dos Estados Unidos estaria relacionada ao fato de o Pix permitir ao Brasil manter uma infraestrutura própria de pagamentos eletrônicos, reduzindo a dependência de sistemas financeiros sob influência norte-americana.

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