Quase dois meses após a audiência pública realizada no dia 20 de fevereiro, no município de Acará, agricultores que foram agredidos por seguranças terceirizados durante o evento falam pela primeira vez sobre o episódio e cobram respostas das autoridades. O encontro, que deveria garantir a participação da população no debate sobre a instalação de um aterro sanitário na região, terminou em confronto, uso de força e denúncias de violência contra moradores.
Um dos momentos mais graves foi registrado em imagens feitas pela equipe de comunicação do coletivo Pororoka, que acompanhava a mobilização. O vídeo mostra um morador sendo imobilizado no chão e agredido por vários seguranças terceirizados, enquanto outras pessoas tentam intervir. A situação levou à intervenção da Polícia Militar e terminou com a suspensão da audiência pública.
Entre os atingidos está o agricultor Salim Queiroz, que afirma não ter imaginado que enfrentaria esse tipo de violência ao tentar participar de uma audiência pública. “Jamais esperava ter que passar por tudo isso. Fiquei decepcionado com as atitudes de seguranças que deveriam proteger a gente e acabaram nos agredindo”, relata. Segundo ele, as marcas da agressão permanecem. “As minhas sequelas são cicatrizes que antes eu não tinha. Dentes postiços, que antes eu não tinha. Eu fiquei com dentes quebrados depois da agressão”, afirma.
Outro agricultor presente no local, André Pires, descreve o episódio como um momento de humilhação e critica a ausência de posicionamento por parte do poder público após o ocorrido. “Eu me senti humilhado. O poder público não deu nem uma nota de repúdio, nada. Era uma faixa de 20 agressores. Eu me senti injustiçado, mas orgulhoso por estar nessa batalha e não vou desistir”, diz.
A audiência fazia parte do processo de discussão sobre a instalação de um aterro sanitário na região e reunia moradores de comunidades potencialmente impactadas. No entanto, o impedimento de acesso ao local e o uso da força contra participantes transformaram o que deveria ser um espaço de escuta em um episódio de violência.
Até o momento, não há informações sobre a responsabilização dos envolvidos. O portal Estado do Pará Online (EPOL) entrou em contato com os órgãos competentes e aguarda posicionamento sobre o caso.
Confira, na íntegra, a nota Ciclus Amazônia sobre o caso:
A empresa repudia toda e qualquer forma de violência e reafirma que a audiência pública no município de Acará foi planejada e executada com estrutura completa e protocolos de segurança compatíveis com sua dimensão, com o objetivo de garantir a integridade física dos participantes e o pleno exercício do direito à informação e à manifestação.
Forças especiais da Segurança Pública também atuaram para conter os conflitos e restabelecer a ordem. Diante da impossibilidade de manutenção das condições mínimas à sua realização naquele momento, as autoridades competentes determinaram a suspensão da audiência.
A empresa se manteve à disposição para fornecer todas as informações e imagens solicitadas às investigações pela Segurança Pública.
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