Os professores da rede municipal de Belém receberam, em 2025, o menor salário inicial entre todas as capitais da Região Norte, segundo levantamento divulgado pelo Movimento Profissão Docente.
De acordo com o estudo, o vencimento inicial pago aos profissionais com licenciatura plena e jornada de 40 horas semanais na capital paraense é de R$ 3.986, valor equivalente a cerca de 82% do Piso Nacional do Magistério, fixado neste ano em R$ 4.867,77.
A pesquisa analisou salários iniciais de professores das 26 capitais brasileiras considerando profissionais recém-ingressos na carreira, sem adicionais individuais como anuênios e triênios. O levantamento utilizou dados confirmados pelas próprias secretarias municipais de educação.
Segundo o relatório “Planos de Carreira e Remuneração do Magistério — Redes Públicas das Capitais 2025”, publicado em janeiro de 2026, apenas três capitais brasileiras não alcançam o piso nacional considerando exclusivamente o vencimento base: Belém, Macapá e Aracaju.
Na Região Norte, Belém aparece na última colocação do ranking salarial. Confira os valores do vencimento inicial nas capitais nortistas:
- Rio Branco — R$ 5.525
- Manaus — R$ 5.356
- Boa Vista — R$ 4.934
- Porto Velho — R$ 4.868
- Palmas — R$ 4.868
- Macapá — R$ 4.442
- Belém — R$ 3.986
O estudo também aponta que grande parte da remuneração dos professores brasileiros está concentrada em gratificações e benefícios adicionais, e não no vencimento base. Segundo os pesquisadores, isso pode gerar impactos na aposentadoria dos profissionais, já que muitos desses adicionais deixam de ser incorporados aos rendimentos após a Reforma da Previdência de 2019.
A pesquisa identificou 131 tipos diferentes de gratificações pagas nas redes municipais das capitais brasileiras. Em mais da metade das cidades analisadas, os professores recebem cinco ou mais benefícios complementares no contracheque.
O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp) informou, em nota, que os profissionais da rede municipal de Belém estão há dois anos sem reajuste salarial.
Segundo o sindicato, além da ausência de reajuste, houve redução salarial devido ao aumento da contribuição previdenciária, que passou de 11% para 14% em 2025.
A entidade também afirmou que parte significativa da remuneração dos docentes depende de gratificações que não são incorporadas à aposentadoria, o que, segundo o sindicato, prejudica a valorização da carreira ao longo do tempo.
Ainda conforme o Sintepp, a categoria defende a criação de um novo plano de cargos, carreira e salário que permita incorporar gratificações e ampliar mecanismos de valorização profissional, como progressão por tempo de serviço e titulação acadêmica.
A reportagem informou que entrou em contato com a Prefeitura de Belém e aguarda posicionamento sobre os dados apresentados na pesquisa e as reivindicações da categoria.
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