Política

Advogado afirma que produtora de ‘Dark Horse’ não sabia origem do dinheiro usado no filme

Defesa de Karina Ferreira da Gama diz que empresa responsável pela produção recebeu recursos para realizar o longa e que projeto tinha como objetivo disputar uma indicação ao Oscar

Por Felipe Borges
15/09/2026 às 09:34 • 3 min

A defesa de Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, afirmou que a empresa responsável pelo longa não tinha conhecimento sobre a eventual origem ilícita dos recursos utilizados para financiar a produção. Segundo o advogado Ricardo Sayeg, a produtora recebeu os valores para executar o projeto e não participou de qualquer eventual esquema relacionado à origem do dinheiro.

O filme, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), passou a ser investigado pela Polícia Federal em meio a suspeitas de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. A apuração envolve empresas e entidades ligadas à produtora.

Defesa afirma que produtora desconhecia origem dos recursos

De acordo com o advogado, a produtora atuou na execução do projeto cinematográfico e não tinha informações que permitissem identificar uma eventual irregularidade na origem dos valores recebidos.

A defesa também sustenta que o objetivo da produção era realizar um longa com padrão internacional e buscar espaço em premiações, incluindo uma possível disputa por indicação ao Oscar.

A investigação, no entanto, apura a movimentação financeira relacionada à produção e possíveis conexões entre recursos públicos e empresas envolvidas no filme.

Investigação da Polícia Federal

A PF deflagrou, em 10 de setembro, a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, além de possíveis crimes de lavagem de dinheiro, fraude em procedimentos de contratação e organização criminosa.

Entre os alvos está Mário Frias (PL-SP), deputado federal e produtor executivo do filme. A empresária Karina Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment, também é investigada.

Segundo a investigação, houve movimentações financeiras entre empresas e entidades ligadas ao grupo. A PF apura ainda se recursos públicos repassados por meio de emendas parlamentares foram utilizados, direta ou indiretamente, para financiar a produção.

A defesa de Karina Gama nega irregularidades. O advogado afirma que a empresária tem colaborado com as autoridades e apresentou documentos relacionados às atividades investigadas.

O caso também envolve apurações sobre recursos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) e pela Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades presididas por Karina. As investigações ainda estão em andamento e não houve conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados.

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