Cidades

PF e CGU deflagram Operação Sonar contra desvios e propina em empresa pública federal no Pará

Ação cumpre 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal do Pará; um suspeito foi preso em flagrante por lavagem de dinheiro e 12 servidores foram afastados das funções

Por Daniel Vinagre
15/09/2026 às 09:48 • 3 min

Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta terça-feira (15) a Operação Sonar. O objetivo da investigação é desarticular um esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos, cobrança de propina a fornecedores, direcionamento de licitações e lavagem de dinheiro no âmbito de uma empresa pública federal sediada em Belém.

Foto: divulgação/ Polícia Federal

Ao todo, equipes da PF cumprem 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará, alcançando endereços residenciais, empresariais e sedes institucionais na capital paraense.

Prisão em flagrante, bens de luxo e bloqueio de R$ 17 milhões

Durante o cumprimento dos mandados, um dos investigados foi preso em flagrante pelo crime de lavagem de capitais. Ele foi localizado pelas autoridades portando mais de R$ 1,2 milhão em notas de dinheiro em espécie, sem comprovação de origem lícita.

A Justiça Federal determinou ainda uma série de medidas cautelares para desmantelar a estrutura da organização:

  • Afastamento de servidores: 12 funcionários públicos foram suspensos de suas funções, ficando proibidos de acessar os sistemas e dependências da empresa, além de impedidos de manter contato com fornecedores e demais investigados.
  • Bloqueio patrimonial: Foi determinado o bloqueio de até R$ 17 milhões das contas dos alvos para garantir o ressarcimento dos danos aos cofres públicos.
  • Apreensão de bens: Carros de luxo, joias, documentos e mídias eletrônicas foram apreendidos e passarão por perícia técnica.
  • Quebra de sigilos e suspensão de contratos: Houve a queda do sigilo bancário e fiscal de 35 investigados, além da paralisação de contratos e cessões de uso vinculados às empresas suspeitas.

Esquema envolvia propina para liberação de faturas e emergências artificiais

As apurações da PF e da CGU revelaram que os investigados retinham intencionalmente o pagamento de faturas por serviços já prestados por fornecedores, exigindo o pagamento de comissão em dinheiro vivo para liberar os valores devidos.

Foto: divulgação/ Polícia Federal

O grupo também criava situações de “emergência artificial” para burlar os processos de licitação e direcionar contratos milionários a empresas previamente alinhadas. Para ocultar a origem dos valores ilícitos, a organização utilizava empresas de fachada (sem estrutura operacional) e laranjas.

Os suspeitos respondem, na medida de suas participações, pelos crimes de organização criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva, fraudes em licitações e contratos administrativos, falsidade ideológica e lavagem de capitais.

Ver esta publicação no Instagram

Uma publicação partilhada por Estado do Pará Online – EPOL (@estadodoparaonline)

Leia também:

WhatsApp