Política

Sem celulares e sem computadores: como a imprensa cobrirá o julgamento de Moraes no STF

Após forte reação de entidades como a Abraji, a Presidência do STF liberou a presença de repórteres no Plenário para a sessão extraordinária desta terça-feira (15), mas manteve o veto irrestrito a eletrônicos; cobertura presencial terá de ser feita à moda antiga

Por Daniel Vinagre
15/09/2026 às 09:10 • 3 min

Foto: Fellipe Sampaio/STF

A sessão extraordinária do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) traz regras atípicas para a cobertura jornalística. Após reverter a proibição inicial de entrada de profissionais de imprensa no ambiente do julgamento, o STF autorizou a presença dos setoristas, mas impôs uma limitação: nenhum equipamento eletrônico poderá ser utilizado no interior do recinto.

A cobertura ao vivo do Plenário pelos repórteres credenciados será feita no modelo tradicional, utilizando apenas papel e caneta.

Celulares, tablets e notebooks deverão permanecer desligados e guardados em sacolas com lacre de segurança fornecidas pela Polícia Judicial.

Pressão da Abraji e recuo do STF

A liberação presencial ocorreu após manifestação da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Inicialmente, o STF havia informado que os jornalistas ficariam restritos à área externa (marquise do prédio) ou ao Comitê de Imprensa, acompanhando os debates exclusivamente por telões, sob a justificativa de limitação de espaço físico.

Em nota de repúdio e ofício enviado à Presidência da Corte, a Abraji criticou a restrição, argumentando que transmissões oficiais não substituem o olhar independente e a apuração presencial da imprensa profissional.

“A decisão contraria o princípio da publicidade dos atos judiciais e reduz a capacidade de cobertura independente da imprensa sobre os julgamentos do tribunal. A transmissão pelas câmeras oficiais é medida de transparência, mas não substitui a presença física no local, que permite o acompanhamento de elementos não captados pela transmissão oficial”, destacou a entidade.

O que está em jogo na sessão

Com a autorização presencial mantida sob veto digital, os jornalistas credenciados acompanharão o julgamento da Petição (PET) 16.662.

O Plenário decide se abrirá ou não um inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes para apurar relatórios da Polícia Federal referentes ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

A sessão ocorre após Moraes protocolar um documento de defesa com 121 tópicos encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.

No texto, Moraes classifica as apurações conduzidas pelo relator André Mendonça como uma “farsa incriminatória”, aponta quebra na cadeia de custódia das provas apreendidas no celular de Vorcaro e destaca o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, pela extinção e arquivamento imediato do processo.

Veículos nacionais e agências internacionais credenciadas

Ao todo, a Presidência e a Polícia Judicial do STF credenciaram equipes de 30 veículos da imprensa nacional e agências internacionais de notícias para acompanhar o julgamento no Plenário. A lista de veículos autorizados inclui as agências globais AFP e Reuters, o serviço BBC News, os portais G1, UOL, Metrópoles, R7, Poder360, JOTA, ConJur e ICL Notícias, além dos jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Correio Braziliense, Gazeta do Povo, O Tempo, Valor Econômico e a revista CartaCapital.

A cobertura jornalística também conta com o acompanhamento presencial de repórteres das emissoras e redes de rádio e TV: TV Globo, GloboNews, Band, SBT, TV Record, Jovem Pan, CNN Brasil, EBC, CBN e das revistas Piauí e Oeste.

Leia também:

WhatsApp