Eleições 2026

Ruth Reis apresenta propostas e expõe visão sobre o Pará em entrevista à TVC

Candidata do Democrata ao Governo do Estado participa de entrevista nesta sexta-feira (4), em meio à disputa eleitoral de 2026

Por Mayra Peniche
04/09/2026 às 19:25 • 12 min

Foto: Pauly Paes/Epol

A candidata do Democrata ao Governo do Pará, Ruth Reis, participou nesta sexta-feira (4) de entrevista à TVC Pará. A sabatina contou com a apresentação de Thiago Barros e foi uma das primeiras oportunidades para apresentar diretamente ao eleitorado suas propostas e posicionamentos após assumir a cabeça da chapa do partido.

A entrevista ocorre em um momento particular da campanha de Ruth. Advogada e contadora, ela inicialmente havia sido lançada para disputar a primeira suplência ao Senado e posteriormente passou a integrar a chapa de José Lucivaldo Moita como candidata a vice-governadora. Com a saída de Moita da disputa, Ruth assumiu a candidatura ao Governo do Estado, enquanto Márcia Carvalho passou a ocupar a vaga de vice.

A mudança fez com que Ruth passasse, em poucas semanas, por três posições eleitorais diferentes dentro da mesma eleição: primeira suplente ao Senado, candidata a vice-governadora e, posteriormente, cabeça da chapa ao Governo do Pará.

Natural de Belém, Ruth tem formação em Ciências Contábeis pela UNESPA e em Ciências Jurídicas pela UNAMA. Segundo informações biográficas divulgadas pela campanha, acumula mais de 30 anos de atuação na área contábil e mais de 11 anos de experiência jurídica. No cadastro eleitoral, sua ocupação aparece como advogada.

A entrevista à TVC ganha importância justamente por ocorrer após essa mudança na composição da chapa. Com a candidatura agora sob seu comando, Ruth passa a ter a oportunidade de apresentar ao público sua própria visão sobre os problemas do Estado e as prioridades que pretende levar para uma eventual gestão.

As propostas e os posicionamentos de Ruth

Durante a entrevista, a candidata deverá abordar temas centrais para a disputa pelo Governo do Pará, como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, geração de emprego e renda, desenvolvimento econômico e as diferenças que pretende estabelecer em relação aos demais projetos eleitorais.

Candidata defende regionalização da saúde, valorização de policiais e redução do ICMS em entrevista

Candidata ao Governo do Pará apresentou propostas para enfrentar filas na saúde, violência contra a mulher, falta de qualificação profissional, desigualdades no interior e problemas de infraestrutura

A candidata ao Governo do Pará apresentou, durante entrevista, as principais propostas de seu plano de governo para áreas como saúde, segurança pública, educação, emprego, infraestrutura, meio ambiente e gestão pública. Entre as medidas defendidas estão a regionalização do atendimento de saúde, a ampliação das estruturas de segurança no interior, políticas de autonomia para mulheres vítimas de violência, redução da alíquota do ICMS e um governo com menos secretarias.

Saúde

Na área da saúde, a candidata apontou como um dos principais problemas do Pará a dificuldade de acesso a consultas especializadas, médicos e cirurgias, especialmente para quem vive no interior.

Segundo ela, existe uma longa fila de pacientes e pouca transparência sobre a demanda. A situação seria ainda mais grave em municípios que dependem de transporte fluvial para chegar a Belém.

A candidata citou o caso de uma criança de Barcarena que precisaria se deslocar para a capital para realizar tratamento contra leucemia. Segundo ela, a família chegou a organizar uma vaquinha para custear os deslocamentos, enquanto o pai precisou deixar o emprego para acompanhar o tratamento.

Como alternativa, ela defendeu a regionalização da saúde.

“O nosso plano de governo vem com a proposta de regionalizar em cada município, que são 44, colocar um hospital para que atenda essa população tão abandonada.”

A candidata também defendeu parcerias com hospitais particulares e clínicas para ampliar a oferta de atendimento e reduzir as filas.

“Vamos vir com o objetivo de sanar, de resolver a situação, fazendo parcerias com os hospitais privados, com as clínicas, para que a gente possa zerar essa fila”, afirmou.

Ela também criticou a concentração de serviços especializados na capital e citou a existência de apenas oito leitos no Estado para determinado tratamento, em contraposição aos 238 leitos de um hospital de referência em Belém.

Segurança pública

Na segurança pública, a candidata afirmou que é necessário atuar tanto na estrutura física das forças policiais quanto na valorização dos profissionais.

Ela dividiu a política de segurança entre o aspecto “material” e o “humano”. Na avaliação dela, além de equipamentos e estrutura, policiais civis e militares precisam de apoio psicológico, melhores condições de moradia e auxílio para o deslocamento até os locais de trabalho.

“O servidor público que trabalha com segurança precisa ser valorizado e nós precisamos também dar um apoio para que ele se sinta seguro ao sair para nos defender”, declarou.

A candidata também afirmou que as facções criminosas avançaram no Estado e relatou ter ouvido de uma pessoa, em uma área considerada nobre de Belém, que seria necessário deixar o local após as 18h porque uma facção passaria a controlar a região.

Para ela, o combate à criminalidade precisa combinar o reforço da estrutura policial com políticas voltadas aos próprios agentes de segurança.

Combate à violência contra a mulher

Apesar de não ter nem um termo que fale sobre mulher e violência de gênero em seu plano de governo, Ruth Costa defendeu medidas de acolhimento e autonomia financeira para vítimas de violência doméstica.

Segundo ela, muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos porque dependem financeiramente dos companheiros e não possuem uma profissão ou renda própria.

“Então, no nosso governo, nós temos um projeto para acolher essa mulher, que às vezes ela não tem uma profissão. Então ela se submete ao homem, tem filhos pequenos”, afirmou.

A candidata também defendeu a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) para o interior do Estado.

Ela criticou o que considera falta de acompanhamento das vítimas depois do registro da ocorrência.

“Faz a ocorrência, vai embora, e você não tem aquele acompanhamento. Aí quando ele volta ele mata”, disse.

Na avaliação da candidata, é necessário garantir que a mulher tenha confiança para denunciar e saiba que contará com proteção do Estado depois da denúncia.

Educação

Na educação, a candidata defendeu a ampliação do acesso à internet e a melhoria da infraestrutura para crianças que vivem em áreas onde o deslocamento até as escolas é difícil.

Ela citou especialmente a realidade de comunidades do Marajó, onde problemas de transporte, como a falta de balsas e ônibus, podem impedir que estudantes cheguem às escolas.

“Porque muitas das vezes não tem balsa, não tem ônibus, elas não conseguem chegar para estudar”, afirmou.

A candidata também disse que a avaliação da educação não deve se limitar à aprovação dos estudantes. Para ela, é necessário preparar os jovens para o mercado de trabalho.

“Não é só, ah, passou de ano. Se ele não está preparado para o mercado de trabalho”, declarou.

Ela relacionou a falta de qualificação profissional à saída de jovens para outras regiões do país.

Segundo a candidata, muitos paraenses deixam o Estado em busca de oportunidades no Sul do Brasil, inclusive para ocupar empregos de baixa qualificação.

“A maioria vai para onde? Para o Sul. Porque lá é qualidade de vida. Apesar de ir para subempregos, porque não tem qualificação, a maioria não tem”, afirmou.

Para ela, melhorar a educação e criar oportunidades profissionais seria uma forma de manter os jovens no Pará.

Emprego, economia e desenvolvimento

Na área econômica, a candidata afirmou que o Pará possui grande potencial, mas precisa atrair mais investimentos e agregar valor à produção local.

Ela citou setores como mineração, agricultura e produção de alimentos e defendeu mudanças na política tributária.

Uma das principais propostas é reduzir a alíquota do ICMS de 19% para 15%.

“No nosso plano de governo, nós iremos reduzir a alíquota para 15%. Quando você reduz para 15%, você aumenta a margem de quem investe no Estado”, explicou.

A candidata também propôs alterar o limite de faturamento estadual para pequenas e médias empresas enquadradas no Simples Nacional. Segundo ela, o limite estadual de R$ 3,6 milhões está congelado há anos e deveria ser ampliado para R$ 4,8 milhões, acompanhando o limite federal.

Na mineração, defendeu uma revisão dos incentivos concedidos às empresas.

“Nós não vamos cortar, nós vamos revisar para saber o que está ficando no Estado”, afirmou.

A candidata relacionou essas medidas à geração de emprego e renda e disse considerar possível cumprir a meta de 200 mil novos empregos até 2030 prevista em seu plano.

“Pode ser 200 mil empregos, porque a gente tem condições, tem potencial para isso. Precisa o quê? Executar”, declarou.

Infraestrutura e interiorização

Sobre infraestrutura, a candidata criticou a concentração de investimentos na Região Metropolitana de Belém e defendeu uma maior integração entre o governo estadual e os 144 municípios paraenses.

Para ela, a dimensão territorial do Estado dificulta uma gestão centralizada na capital.

“Quando tem a sua centralização aqui, ele não consegue alcançar os 144 municípios”, afirmou.

A candidata citou como exemplo a existência de pontes de madeira em municípios do interior e mencionou uma ponte em Colares que, segundo ela, está há anos com obras inacabadas.

“Ponte de madeira a zero. Porque é inadmissível ter ponte de madeira. Muitas carretas tombam, acidente por ponte de madeira”, disse.

A proposta apresentada é estabelecer parcerias com as prefeituras e utilizar recursos estaduais e federais para solucionar problemas de infraestrutura.

A candidata também defendeu mudanças na forma como o Estado se prepara para a reforma tributária, argumentando que será necessário organizar as finanças e a relação com os municípios para garantir capacidade de investimento.

Meio ambiente

Para as questões ambientais, a candidata defendeu o uso de tecnologia para ampliar a fiscalização e o monitoramento de áreas de preservação e produção.

Segundo ela, o monitoramento por satélite permitiria identificar áreas de desmatamento e acompanhar o território de maneira mais eficiente.

“A partir do momento que você começa a monitorar satélite, colocando internet, tu consegue sair numa sala, mapear tudo”, afirmou.

Ela também defendeu uma política de preservação que, segundo sua avaliação, não prejudique produtores rurais.

“Então isso é um dos planos exatamente zerar, mas zerar de forma consciente, não prejudicar quem produz”, declarou.

A candidata argumentou ainda que o produtor deve ser transformado em parceiro das políticas ambientais, com áreas destinadas à preservação e condições para continuar produzindo.

COP30 e legado para Belém

Ao falar sobre a COP30, a candidata criticou a manutenção das obras realizadas ou revitalizadas em Belém e afirmou que os investimentos relacionados ao evento precisam deixar um legado permanente para a cidade.

Ela citou problemas que, segundo sua avaliação, já podem ser observados em estruturas públicas e afirmou que não basta construir novos equipamentos sem garantir recursos para manutenção.

“Não é só fazer a obra. A obra está feita. Você tem que manter e fazer um projeto para que as pessoas se fixem ali, para que o turista possa…”, afirmou.

A candidata também criticou a situação de conservação de áreas públicas e afirmou que Belém possui potencial turístico, mas enfrenta problemas de limpeza e manutenção.

“A cidade é belíssima, mas é suja do começo ao fim”, disse.

Para ela, a visibilidade proporcionada pela COP30 deveria ser utilizada para atrair novos investimentos e fortalecer o turismo e a economia local.

Gestão pública

Na administração pública, a candidata defendeu um governo mais enxuto. Segundo ela, o Estado possui 29 secretarias e todas deverão passar por uma avaliação de desempenho.

As estruturas consideradas eficientes seriam mantidas, enquanto órgãos considerados obsoletos poderiam ser extintos.

“Nós vamos avaliar, a equipe vai avaliar, porque nós temos uma equipe especializada. Nós temos 29 secretarias”, afirmou.

Segundo a candidata, reduzir estruturas desnecessárias também permitiria diminuir os gastos de manutenção da máquina pública.

“As secretarias que estiverem obsoletas não vão ficar. O governo será enxuto”, declarou.

Ao mesmo tempo, ela afirmou que pretende manter uma administração aberta ao diálogo com o Legislativo e com diferentes setores da sociedade.

Aproximação com igrejas

Entre as propostas de participação social, a candidata citou a aproximação do governo com igrejas e organizações que realizam trabalhos sociais.

“Nós vamos ter, inclusive, um projeto de trazer as igrejas para perto do governo, porque são eles que trabalham com as obras sociais”, afirmou.

Segundo ela, a intenção é utilizar essa rede para identificar demandas sociais e ampliar a capacidade de atendimento do Estado.

“O Estado do Pará precisa chegar a cada cidadão que precise do Estado”, declarou.

Ao concluir a discussão sobre gestão, a candidata voltou a criticar as condições de bairros de Belém e afirmou que, apesar dos investimentos realizados nos últimos anos, ainda existem áreas em situação precária.

“Você anda por alguns bairros de Belém que é muito triste a situação. Muito triste e não deveria ser, porque recebeu muitos milhões, eu digo até bilhões por conta da Cop”, afirmou.

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