Eleições 2026

Raio-X Eleitoral: conheça as propostas, aliados e trajetória de Ruth Reis

Advogada e contadora, candidata do Democrata ao Governo do Pará assumiu a cabeça da chapa após a saída de José Moita. Em 2026, Ruth já passou por três posições eleitorais diferentes e apresenta, até o momento, o plano de governo originalmente registrado pelo partido para a chapa anterior; Série apresenta o perfil dos candidatos ao Governo do Pará em ordem alfabética e acompanha o calendário das sabatinas da TVC Pará, sempre a partir das 17h

Por Júlia Ramos
04/09/2026 às 14:00 • 11 min

Ruth Helena Ferreira Reis, conhecida como Dra. Ruth Reis, nasceu em Belém e tem 58 anos. É formada em Ciências Contábeis pela UNESPA e em Ciências Jurídicas pela UNAMA. Em material biográfico divulgado pela própria campanha, afirma acumular mais de 30 anos de atuação na área contábil e mais de 11 anos de experiência jurídica, com atividades voltadas ao atendimento de empresas, profissionais e empreendedores. O cadastro da Justiça Eleitoral, por sua vez, registra sua ocupação como “advogado”.

A participação de Ruth na eleição de 2026 passou por mudanças sucessivas. Ela foi inicialmente registrada como candidata a 1ª suplente ao Senado na chapa de Edlaine Rodrigues, também do Democrata. Depois, passou a ser candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por José Lucivaldo Moita. Em 30 de agosto, o partido anunciou a substituição de Moita por Ruth na disputa pelo Governo do Pará e apresentou a advogada Márcia Carvalho para ocupar a vaga de vice. Edlaine Rodrigues permaneceu na corrida ao Senado.

Na mesma eleição, portanto, Ruth passou por três posições eleitorais diferentes: suplente ao Senado, vice-governadora e, posteriormente, candidata a governadora. A mudança mais recente foi anunciada oficialmente pelo Democrata, que informou ter protocolado a nova composição na Justiça Eleitoral.

Politicamente, Ruth está no campo da direita e disputa pelo Democrata, partido isolado no Pará. A legenda lançou nacionalmente Wilson Grassi Júnior à Presidência da República, com Suêd Haidar como vice, em sua primeira candidatura presidencial. O partido afirma defender uma plataforma própria, sem integrar uma coligação presidencial com Lula ou Flávio Bolsonaro.

O que faz um governador?

O governador é o chefe do Poder Executivo estadual. Entre suas principais responsabilidades estão administrar a rede estadual de educação, organizar e dirigir as forças estaduais de segurança, coordenar a saúde pública estadual em articulação com municípios e União, administrar rodovias estaduais, políticas ambientais, infraestrutura, desenvolvimento econômico e a máquina pública.

Nem toda proposta de campanha, porém, pode ser executada exclusivamente pelo governador. Algumas medidas dependem de aprovação da Assembleia Legislativa, de recursos orçamentários, de convênios com municípios ou com o governo federal e, em certos casos, da legislação nacional.

O que Ruth Reis propõe?

Ruth Reis afirma que manterá o plano de governo apresentado pelo Partido Democrata para a disputa ao Governo do Pará. O documento, intitulado “Pará de Todos Nós: Desenvolvimento, Inclusão, Sustentabilidade e Governança”, foi protocolado na Justiça Eleitoral em 13 de agosto de 2026, quando José Moita ainda encabeçava a chapa e Ruth era candidata a vice-governadora.

Com a substituição de Moita por Ruth na cabeça da chapa, a candidata passa a adotar integralmente as diretrizes já apresentadas pelo partido. Assim, as propostas detalhadas a seguir correspondem ao mesmo plano de governo que havia sido registrado originalmente e que será mantido pela nova composição.

Administração pública e responsabilidade fiscal

O plano estabelece a responsabilidade fiscal como uma das bases da gestão. A proposta é manter o Estado alinhado à Lei de Responsabilidade Fiscal e buscar a nota CAPAG A junto ao Tesouro Nacional para ampliar a capacidade de financiamento de investimentos.

Entre as medidas estão a revisão dos incentivos fiscais, condicionando benefícios à geração comprovada de empregos locais, industrialização e preservação ambiental; a criação de um portal único para serviços estaduais; e a implantação de um Orçamento Base Zero para o custeio administrativo, com meta de economia mínima de 12% nas despesas continuadas.

O programa ainda propõe revisar a alíquota do ICMS de 19% para 15%, condicionando a redução ao controle dos gastos públicos e à redução da máquina estatal, além de elevar o teto do Simples Estadual de R$ 3,6 milhões para R$ 4,8 milhões.

Segurança pública

Na segurança, o Democrata propõe consolidar os Centros Integrados de Comando e Controle nas 13 Regiões de Integração e unificar bancos de dados de Polícia Militar, Polícia Civil, Secretaria de Administração Penitenciária, Bombeiros, perícia e guardas municipais.

O plano também prevê ampliar o policiamento fluvial, com bases flutuantes equipadas com lanchas e drones térmicos, especialmente em áreas consideradas estratégicas para o combate ao narcotráfico e à pirataria. Outra proposta é criar núcleos regionais de atenção à saúde mental dos profissionais da segurança.

A candidatura propõe ainda reajuste salarial e critérios estaduais para promoção dos servidores da segurança, implantação gradual de câmeras corporais e incentivos fiscais para empresas que contratarem egressos do sistema penitenciário.

Saúde

A plataforma prevê um pacto de cofinanciamento da atenção primária, com transferência direta de recursos estaduais aos 144 municípios que atingirem metas de cobertura da Estratégia Saúde da Família, vacinação infantil e acompanhamento pré-natal.

Também propõe conectar 100% das Unidades Básicas de Saúde ao Telessaúde Pará, utilizando tecnologia para aproximar médicos da atenção básica de especialistas. Para regiões ribeirinhas, a ideia é ampliar unidades fluviais com consultas e exames.

Na média e alta complexidade, o plano estabelece uma fila única e transparente para consultas, exames e cirurgias, com critérios clínicos e ordem cronológica. Também prevê condicionar os repasses às Organizações Sociais hospitalares ao cumprimento de metas de qualidade, tempo de espera e resolução clínica.

Educação

A proposta estabelece a meta de alfabetizar 100% das crianças até o fim do segundo ano do ensino fundamental e dobrar as vagas de cursos técnicos integrados ao ensino médio. Os currículos seriam adaptados às vocações econômicas de cada região do Estado.

O plano também prevê parcerias com Senai, Senac, Senar, Sebrae e IFPA para formação profissional e inserção de jovens no mercado de trabalho. Outra proposta é ampliar escolas cívico-pedagógicas em áreas consideradas de maior vulnerabilidade.

Entre as metas de infraestrutura educacional estão internet de alta velocidade e climatização de 100% das salas de aula, além da utilização de energia solar fotovoltaica em escolas rurais e ribeirinhas.

Trabalho, emprego e desenvolvimento econômico

O programa aposta na industrialização local e no fortalecimento de micro e pequenas empresas. O InvestPará 2.0 prevê atração de empresas com contrapartidas, incluindo processamento local de matérias-primas e contratação de pelo menos 80% de mão de obra local.

Também estão previstas linhas de crédito do Banpará com juros reduzidos e um fundo de aval público para facilitar o acesso de microempreendedores ao sistema financeiro. Para empresas de baixo risco, o plano prevê licenciamento integrado em até 48 horas.

A meta apresentada no documento é criar 200 mil novos empregos formais até 2030.

Infraestrutura e transporte

O plano prevê pavimentação de mais de 1.000 quilômetros de rodovias estaduais, concessões de eixos estratégicos e substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto ou aço.

No transporte hidroviário, estão previstas dragagem, sinalização e balizamento de hidrovias dos rios Tocantins, Tapajós, Capim e Amazonas, além da construção de 30 novos terminais de cargas e passageiros.

Para comunidades ribeirinhas, o programa propõe subsídios a linhas hidroviárias sociais, lanchas escolares e ambulâncias náuticas para atender especialmente o Marajó e as ilhas.

Meio ambiente e produção rural

O documento estabelece como meta o desmatamento ilegal zero, com monitoramento por satélite e integração das forças de segurança para combater crimes ambientais.

Outra promessa é entregar 50 mil títulos de propriedade a pequenos e médios produtores por meio do Iterpa e utilizar inteligência artificial na validação de cadastros ambientais. O plano ainda prevê pagamento por serviços ambientais e mecanismos ligados ao mercado de carbono.

Na agropecuária, o programa prevê recuperação de 1,5 milhão de hectares de pastagens degradadas, rastreabilidade bovina individualizada e estímulo a sistemas agroflorestais de açaí, cacau e espécies nativas.

Saneamento e habitação

O Democrata estabelece como meta levar água tratada a pelo menos 90% da população urbana e rural. A proposta também inclui o “Sua Casa Ribeirinha”, com soluções adaptadas a áreas sujeitas a alagamentos, como palafitas ecológicas e sistemas de captação de água da chuva.

O plano também prevê regularização fundiária e um escritório técnico estadual para apoiar pequenos municípios na elaboração de projetos capazes de captar recursos federais e internacionais.

Políticas sociais e família

A plataforma propõe o programa “Família Protegida”, integrando assistência social, qualificação profissional e saúde para famílias em situação de vulnerabilidade. O objetivo declarado é construir planos individuais de autonomia financeira.

Outro ponto é a ampliação das parcerias entre o Estado e associações comunitárias, cooperativas e entidades religiosas, com simplificação dos procedimentos previstos no Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil.

Metas para o Estado

O plano apresenta indicadores numéricos para acompanhar a execução. Entre as metas estão reduzir a taxa de mortes violentas intencionais para menos de 20 por 100 mil habitantes, conectar 100% das UBSs ao Telessaúde, chegar a pelo menos 90% de alfabetização até o fim do segundo ano, criar 200 mil empregos formais, zerar o desmatamento ilegal e entregar 50 mil títulos fundiários até 2030.

O que Ruth Reis já fez na vida pública?

Ruth não possui mandato eletivo anterior identificado nas bases consultadas. Sua trajetória eleitoral conhecida se concentra na própria eleição de 2026. Sua experiência profissional, apresentada pela própria campanha, está concentrada nas áreas contábil e jurídica.

Não há, portanto, histórico de leis aprovadas, mandatos executivos ou obras públicas diretamente atribuíveis a Ruth como agente política. A comparação com candidatos que já exerceram cargos eletivos deve levar em conta essa diferença de trajetória.

Patrimônio

Ruth declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 1.264.017,48 na candidatura originalmente registrada para vice-governadora. A relação inclui uma casa residencial de R$ 700 mil, um apartamento de R$ 274 mil, um veículo de R$ 146.023, um terreno de R$ 62.800, outra casa de R$ 48.900, oito computadores avaliados em R$ 17.580, móveis e utensílios de R$ 8.360 e saldos bancários e de poupança.

Como essa é a declaração apresentada na candidatura anterior a vice e a nova candidatura ao Governo ainda estava em processo de atualização no sistema eleitoral, não é possível afirmar que esse será necessariamente o valor patrimonial vinculado ao novo registro de governadora.

Financiamento da campanha

O registro eleitoral da candidatura originalmente apresentada como vice não apresentava prestação de contas enviada à Justiça Eleitoral na consulta disponível.

Com a alteração da chapa, a situação financeira deverá ser atualizada no novo registro. Por isso, os dados da candidatura anterior não devem ser tratados automaticamente como a prestação de contas da atual disputa pelo Governo.

Investigações, processos e questionamentos públicos

Na apuração realizada para este raio-X, não foram localizadas investigações criminais de grande repercussão ou condenações que estabeleçam responsabilidade de Ruth Reis por crimes ou irregularidades administrativas. O principal questionamento relacionado à candidatura de Ruth neste momento é de natureza eleitoral e surgiu da mudança de composição da chapa.

Em resumo

A candidata do Democrata está no campo da direita e sem mandato eletivo anterior. Ruth apresenta trajetória profissional nas áreas contábil e jurídica e afirma ter mais de 30 anos de experiência somadas nas duas atividades.

Ruth manterá o plano de governo registrado inicialmente pelo partido para a chapa de José Moita, com propostas de redução do ICMS, responsabilidade fiscal, reforço da segurança pública, ampliação da saúde e educação, geração de empregos, investimentos em infraestrutura e combate ao desmatamento.

Este é o quarto raio-X da série sobre os candidatos ao Governo do Pará. Os perfis estão sendo publicados em ordem alfabética e de acordo com o cronograma das sabatinas da TVC Pará, todas com início previsto para as 17h.

Acompanhe:
Araceli Lemos (PSOL), em 31 de agosto – link da entrevista;
Dr. Daniel Santos (Podemos), em 1º de setembro – Não compareceu;
Gal Leite (Unidade Popular), em 2 de setembro – 
Hana Ghassan (MDB), em 3 de setembro – Não compareceu;
Dra Ruth Reis (Democrata), em 4 de setembro;
Well Macêdo (PSTU), em 7 de setembro.

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