Eleições 2026

Número de candidatos com títulos evangélicos cai nas eleições de 2026

Levantamento aponta que 1,9% dos candidatos usam nomes de urna como “pastor”, “missionário”, “bispo” ou “apóstolo”; maioria disputa vagas para deputado estadual e federal

Por Mayra Peniche
31/08/2026 às 16:18 • 3 min

Foto: Agência Pública

O número de candidatos que utilizam títulos ligados a igrejas evangélicas no nome de urna caiu nas eleições de 2026. Segundo dados do STE, 385 candidatos registrados neste ano adotaram alguma denominação religiosa em seus nomes de campanha, o equivalente a 1,9% do total de candidaturas.

O percentual representa uma redução de 0,3 ponto percentual em relação às eleições de 2022, quando a presença de candidatos com títulos evangélicos chegou a 2,2%. Apesar da queda, a participação ainda permanece acima dos índices registrados em eleições anteriores a 2018.

Entre os títulos utilizados, “pastor” ou “pastora” são os mais frequentes, aparecendo em 296 candidaturas. Na sequência estão “missionário”, com 40 ocorrências; “bispo”, com 32; e “apóstolo”, utilizado por dez candidatos. O levantamento também considera denominações como presbítero, evangelista, profeta, reverendo, obreiro e crente.

A maior parte desses candidatos disputa vagas no Legislativo. São 217 candidatos concorrendo às Assembleias Legislativas e 150 à Câmara dos Deputados. Outros cinco disputam uma cadeira no Senado, enquanto dez aparecem como candidatos a vice ou suplentes. Nenhum candidato aos governos estaduais ou à Presidência da República utiliza um título evangélico no nome de urna.

Direita concentra maior número de candidaturas

Os títulos religiosos aparecem com maior frequência entre candidatos de partidos pequenos e legendas de direita. Democracia Cristã (DC), Solidariedade, Democrata e Mobiliza estão entre as siglas com os maiores percentuais.

Na DC, 3,8% das candidaturas utilizam algum título evangélico no nome de urna. No Solidariedade, o índice é de 3,6%, seguido pelo Democrata, com 3,3%, e pelo Mobiliza, com 3%.

Entre os partidos maiores, Republicanos aparece com 2,5%, MDB com 2,3% e União Brasil com 2,2%. No PL, uma das principais siglas da direita, o percentual é de 2%, próximo da média nacional de 1,9%.

Já entre partidos de esquerda, os índices são menores. O PSOL registra 0,9%, o PT 0,8% e o PSB 0,5%. Partidos como PCdoB, PCO, PSTU e UP não possuem candidatos com títulos evangélicos no nome de urna, segundo o levantamento.

Presença cresceu nas últimas eleições

Apesar da queda registrada em 2026, o uso de títulos religiosos em nomes de urna cresceu de forma significativa nas últimas décadas. Em 1998, 0,8% dos candidatos utilizavam algum título ligado a igrejas evangélicas. O percentual passou para 1,4% em 2002 e permaneceu próximo desse patamar nas eleições seguintes.

A participação chegou a 1,7% em 2018 e atingiu o pico de 2,2% em 2022. Em 2026, o índice recuou para 1,9%.

O levantamento considera exclusivamente os nomes de urna informados pelos próprios candidatos. A análise exclui casos em que termos como “Bispo” ou “Evangelista” aparecem apenas como sobrenomes. Também não são contabilizados termos que podem estar relacionados a outras tradições religiosas, como “irmão” e “diácono”.

Levantamento realizado pelo Jornal Nexo com base nos dados do TSE

Leia também:

WhatsApp