Internacional

Brasil e EUA retomam negociação sobre tarifaço de produtos brasileiros

A reunião marca a retomada das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos após uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na última sexta-feira (21)

Por Sarah Carvalho
25/08/2026 às 17:43 • 3 min

Fornecedores das cadeias produtivas afetadas também poderão acessar os recursos, conforme as regras do programa. (Foto: Vosmar Rosa / MPOR)

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, vão se reunir na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília. O encontro será realizado de forma virtual e foi confirmado pelo ministério.

A reunião marca a retomada das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos após uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na última sexta-feira (21). O telefonema durou cerca de uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de forma cordial.

Durante a conversa, os dois presidentes abriram um novo canal de diálogo entre os governos em meio à disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo o Planalto, Lula defendeu a retomada das negociações e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a adoção das tarifas são infundadas.

Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos estão questões relacionadas ao desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados ao trabalho forçado.

Lula também afirmou que as tarifas prejudicam as economias dos dois países e defendeu o diálogo como forma de preservar as relações comerciais. Trump, por sua vez, concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a retomada das tratativas entre as equipes dos dois governos.

Tarifaço dos Estados Unidos

A disputa comercial se intensificou em julho, quando o USTR impôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Entre os itens atingidos estão ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola e máquinas elétricas que não são destinadas ao setor de aviação.

Na sequência, uma sobretaxa adicional de 12,5% foi aplicada a outros produtos brasileiros. Segundo o governo norte-americano, a medida estaria relacionada à ausência de mecanismos considerados eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Com as novas tarifas, que passaram a vigorar no fim de julho, cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano são afetados, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O Brasil também acionou o sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as tarifas impostas pelos Estados Unidos são incompatíveis com as regras da entidade. Os norte-americanos aceitaram participar das consultas.

Desde o início das medidas, o governo brasileiro tem destacado que os Estados Unidos mantêm superávit na relação comercial com o Brasil, ou seja, exportam mais para o mercado brasileiro do que importam.

A expectativa é que a reunião entre os representantes dos dois países seja utilizada para avançar nas negociações e buscar alternativas para reduzir os impactos das tarifas sobre as exportações brasileiras.

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