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Pediatras alertam para riscos do uso de “canetas emagrecedoras” por crianças e adolescentes

Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que medicamentos sejam utilizados apenas com indicação e acompanhamento médico e alerta para riscos de uso com finalidade estética

Por Elielson Almeida
24/08/2026 às 08:37 • 4 min

Entidade afirma que medicamentos têm indicações específicas e não devem ser usados por adolescentes apenas para modificar a aparência. (Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um alerta sobre o uso sem indicação e acompanhamento médico de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, por crianças e adolescentes.

Segundo a entidade, o uso inadequado pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos. Entre os riscos estão déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula.

A SBP também alerta para os riscos relacionados ao uso desses medicamentos exclusivamente com finalidade estética. De acordo com a entidade, a busca por mudanças na aparência corporal pode contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal.

A recomendação é que os medicamentos sejam utilizados apenas quando houver indicação específica, como no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Mesmo nesses casos, a prescrição não deve ser automática e precisa considerar as condições individuais de cada paciente.

Uso deve ter acompanhamento médico

Antes de indicar o tratamento, segundo a SBP, o médico deve avaliar a resposta da criança ou do adolescente a intervenções farmacológicas e não farmacológicas anteriores, a gravidade da doença, a existência de outras condições de saúde, os possíveis riscos e a capacidade de acompanhamento do tratamento.

A entidade também recomenda evitar produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A SBP ressalta ainda que adolescentes com peso adequado não devem utilizar esses medicamentos apenas para modificar a aparência ou alcançar determinados padrões estéticos.

A entidade recomenda, inclusive, que a expressão “canetas emagrecedoras” seja substituída por “medicamentos para tratar a obesidade”. Segundo a sociedade, a mudança ajuda a reforçar que a obesidade é uma doença crônica e que o objetivo do tratamento deve estar relacionado à saúde e à qualidade de vida, e não apenas à perda de peso.

Quais são os efeitos adversos?

De acordo com a SBP, os eventos adversos mais comuns dos medicamentos dessa classe são gastrointestinais e tendem a aparecer principalmente durante o aumento gradual das doses. Entre eles estão:

  • náuseas;
  • vômitos;
  • refluxo;
  • azia;
  • diarreia;
  • constipação.

A perda de massa magra também é apontada como um possível risco e deve ser acompanhada pelo médico. Entre os eventos considerados potencialmente graves estão pancreatite, hipoglicemia e colelitíase.

A sociedade afirma que as evidências disponíveis apontam eficácia e segurança desses medicamentos em adolescentes quando utilizados dentro dos critérios estudados e associados a mudanças no estilo de vida. O alerta, segundo a entidade, está principalmente na banalização do uso, especialmente nas redes sociais.

Quando o uso é contraindicado?

A SBP aponta contraindicação para pessoas com hipersensibilidade ao princípio ativo ou a componentes da formulação, gestantes e lactantes e pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

Já o histórico de pancreatite é considerado uma contraindicação relativa, que exige avaliação médica individualizada.

Com informações da Agência Brasil*

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