Internacional

Enquanto Brasil corre para conter sarampo, Trump reduz vacinas infantis nos EUA

Decisão do presidente americano limita calendário infantil a 11 vacinas e ocorre em meio ao avanço da doença e a alertas de autoridades de saúde

Por Estado do Pará Online
11/08/2026 às 10:27 • 4 min

Foto: Reprodução / The White House

Enquanto autoridades brasileiras reforçam a vacinação para tentar conter novos casos de sarampo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu seguir na direção contrária. Nesta segunda-feira (10), o republicano assinou uma ordem executiva que reduz de 17 para 11 o número de vacinas recomendadas para crianças no país e determina mudanças na forma de aplicação de alguns imunizantes. 

A medida também prevê que a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, seja dividida em três aplicações separadas, realizadas em consultas diferentes. A mudança foi duramente criticada por entidades médicas e especialistas em saúde pública, que afirmam que não há evidências científicas de que separar as vacinas ofereça benefícios adicionais às crianças.

O anúncio ocorre em um momento particularmente delicado. O sarampo, doença altamente contagiosa que havia sido controlada em diversos países, voltou a provocar surtos e preocupa autoridades de saúde nas Américas.

Brasil reforça vacinação diante de novos casos

No Brasil, o movimento é justamente o oposto. O Ministério da Saúde ampliou a recomendação de vacinação contra o sarampo em três municípios de São Paulo: a capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo.

A orientação passou a contemplar, de forma indiscriminada, pessoas de 6 meses a 59 anos nessas localidades durante a Campanha de Multivacinação. A decisão foi tomada após a confirmação de novos casos da doença. 

Até o fim de julho, o Brasil havia confirmado 14 casos de sarampo em 2026. Desse total, 11 permaneciam relacionados a um surto ativo, com registros em São Paulo e São Bernardo do Campo.

Na capital paulista, os primeiros casos começaram a aparecer em junho. Entre 2 de junho e 17 de julho, oito casos haviam sido confirmados, todos classificados como importados ou relacionados à importação.

O cenário fez o governo federal reforçar a necessidade de vacinação, especialmente diante da circulação internacional do vírus. Em abril, o Ministério da Saúde já havia alertado para o risco de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil, em parte devido ao intenso fluxo de viajantes durante a Copa do Mundo, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, países que enfrentavam surtos da doença.

Contraste chama atenção

É justamente nesse cenário que a decisão de Trump ganha repercussão internacional.

De um lado, o Brasil amplia a vacinação para tentar impedir que casos importados se transformem em cadeias de transmissão. Do outro, o governo norte-americano reduz o número de imunizantes recomendados para crianças e propõe mudanças na aplicação da vacina contra o sarampo.

Especialistas ouvidos pela imprensa americana classificaram a medida como preocupante e afirmaram que ela pode aumentar a dificuldade de acesso à imunização e gerar confusão entre pais e responsáveis. A Academia Americana de Pediatria e outras entidades médicas estão entre os críticos da mudança.

A Organização Mundial da Saúde também reforçou, após o anúncio de Trump, que os calendários de vacinação devem ser definidos com base nas melhores evidências científicas disponíveis.

Doença que parecia controlada volta ao radar

O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas e pode provocar complicações graves, principalmente em crianças pequenas. A vacinação é considerada a principal forma de prevenção.

O Brasil voltou a receber, em 2024, a certificação internacional de eliminação da circulação endêmica do sarampo. Isso, porém, não significa que o país esteja livre de novos casos: pessoas infectadas em outros países podem introduzir o vírus no território nacional, e a doença pode voltar a se espalhar quando encontra grupos sem proteção vacinal.

Por isso, o aumento de casos registrados em 2026 acendeu novamente o sinal de alerta. O próprio Ministério da Saúde reforçou, em agosto, a vacinação de crianças e adolescentes contra o sarampo após registros relacionados à importação do vírus.

Embora não seja possível afirmar que a decisão do governo Trump tenha relação direta com o aumento de casos no Brasil, os acontecimentos colocam em evidência um mesmo problema: a importância da cobertura vacinal para impedir que doenças controladas voltem a circular.

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