O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) instaurou um procedimento administrativo para apurar denúncias de perseguição, homofobia e abuso de autoridade apresentadas por um casal de policiais civis contra um delegado da Polícia Civil. O procedimento também investiga possíveis falhas na gestão funcional da 10ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), onde atua o delegado Antônio Mororó, superintendente regional de Marabá.
Segundo a representação encaminhada ao MPPA, a delegada Lívia Ferraz e a investigadora Izabel Coelho, que atuavam na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Marabá, foram informadas, em novembro de 2025, de que não poderiam mais trabalhar juntas. De acordo com as policiais, a comunicação foi feita por representantes da chefia regional, que afirmaram cumprir uma determinação superior, sem apresentar justificativa.
As servidoras alegam que a restrição não era aplicada a casais heterossexuais da Polícia Civil, que continuavam atuando conjuntamente em plantões. Diante da situação, elas levaram o caso à Corregedoria da Polícia Civil e ao Ministério Público.
As policiais também afirmam que passaram a ser alvo de rumores entre colegas de trabalho. Segundo relataram à Agência Pública, desde março deste ano ambas estão afastadas das funções por doenças psicológicas. A delegada Lívia Ferraz também registrou um boletim de ocorrência contra o superintendente regional, no qual relata que ele repreendia delegadas pelo uso de atestados médicos, questionava publicamente a legitimidade dos documentos e afirmava que, quando uma servidora fosse afastada, outra deveria assumir o trabalho sem compensação porque alguém “deveria sangrar”.
Em manifesto divulgado nesta terça-feira (14), a Federação dos Policiais Civis das Regiões Norte e Centro-Oeste (FEPOLNORTE) e o Sindicato dos Policiais Civis do Pará (SINDPOL-PA) manifestaram apoio às servidoras e defenderam a apuração das denúncias. As entidades afirmam que nenhum policial civil pode ser “humilhado, perseguido ou discriminado dentro da própria instituição” e cobram uma resposta institucional diante da gravidade do caso.
No documento, também afirmam que o Governo do Estado foi cientificado dos fatos por meio de procedimento administrativo e criticam o que classificam como silêncio de outras entidades representativas da categoria.
Em nota à Agência Pública, a Polícia Civil informou que a Divisão de Crimes Funcionais (DCRIF) conduz investigação sobre o caso, que segue em andamento. Procurado pela reportagem por meio da assessoria de comunicação da instituição, o delegado Antônio Mororó não se manifestou sobre as acusações.
O Portal Estado do Pará Online solicitou posicionamento à Polícia Civil do Pará sobre as denúncias, o andamento das investigações e as alegações apresentadas pelas policiais. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
Com informações da Agência Pública*
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