Ministério Público apura denúncia de perseguição contra casal de policiais civis no Pará

Ministério Público apura denúncia de perseguição contra casal de policiais civis no Pará

Casal de policiais civis afirma ter sofrido perseguição e discriminação por manter relacionamento homoafetivo

Segundo o MPPA, as servidoras foram impedidas de trabalhar juntas e relatam tratamento discriminatório. (Foto: reprodução)

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) instaurou um procedimento administrativo para apurar denúncias de perseguição, homofobia e abuso de autoridade apresentadas por um casal de policiais civis contra um delegado da Polícia Civil. O procedimento também investiga possíveis falhas na gestão funcional da 10ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), onde atua o delegado Antônio Mororó, superintendente regional de Marabá.

Segundo a representação encaminhada ao MPPA, a delegada Lívia Ferraz e a investigadora Izabel Coelho, que atuavam na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Marabá, foram informadas, em novembro de 2025, de que não poderiam mais trabalhar juntas. De acordo com as policiais, a comunicação foi feita por representantes da chefia regional, que afirmaram cumprir uma determinação superior, sem apresentar justificativa.

As servidoras alegam que a restrição não era aplicada a casais heterossexuais da Polícia Civil, que continuavam atuando conjuntamente em plantões. Diante da situação, elas levaram o caso à Corregedoria da Polícia Civil e ao Ministério Público.

As policiais também afirmam que passaram a ser alvo de rumores entre colegas de trabalho. Segundo relataram à Agência Pública, desde março deste ano ambas estão afastadas das funções por doenças psicológicas. A delegada Lívia Ferraz também registrou um boletim de ocorrência contra o superintendente regional, no qual relata que ele repreendia delegadas pelo uso de atestados médicos, questionava publicamente a legitimidade dos documentos e afirmava que, quando uma servidora fosse afastada, outra deveria assumir o trabalho sem compensação porque alguém “deveria sangrar”.

Em nota à Agência Pública, a Polícia Civil informou que a Divisão de Crimes Funcionais (DCRIF) conduz investigação sobre o caso, que segue em andamento. Procurado pela reportagem por meio da assessoria de comunicação da instituição, o delegado Antônio Mororó não se manifestou sobre as acusações.

O Portal Estado do Pará Online solicitou posicionamento à Polícia Civil do Pará sobre as denúncias, o andamento das investigações e as alegações apresentadas pelas policiais. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

Com informações da Agência Pública*

Leia também: