Hospitais suspendem serviços especializados e ampliam crise no PSM da 14 de Março, em Belém - Estado do Pará Online

Hospitais suspendem serviços especializados e ampliam crise no PSM da 14 de Março, em Belém

Falta de repasses da Prefeitura afeta hospitais terceirizados e compromete atendimentos em neurocirurgia, ortopedia e exames de imagem.

Falta de repasses da Prefeitura afeta hospitais terceirizados e compromete atendimentos em neurocirurgia, ortopedia e exames de imagem.
CRM/PA

O funcionamento do sistema de saúde de urgência em Belém enfrenta uma nova crise com a suspensão de serviços especializados que atendem o Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14 de Março. Pelo menos três hospitais conveniados interromperam procedimentos em áreas como neurocirurgia, traumatologia e ortopedia.

A paralisação está relacionada à ausência de repasses financeiros por parte da Prefeitura de Belém às empresas contratadas, o que também já começa a comprometer o setor de diagnóstico por imagem da unidade, ampliando o risco de colapso no atendimento.

Dentro do hospital, a situação é considerada grave. Profissionais relatam atrasos salariais, especialmente entre pediatras, além de impactos diretos na assistência, incluindo casos associados à falta de neurocirurgiões em plantões críticos.

As informações foram repassadas por uma servidora da unidade, que preferiu não se identificar. Segundo ela, a rede terceirizada vem reduzindo serviços essenciais, incluindo a suspensão de sistemas usados para emissão de laudos médicos, o que impede a liberação de resultados de exames fundamentais para diagnóstico e continuidade do tratamento.

Há também o temor de que equipamentos de alta complexidade, como tomógrafos, aparelhos de raio-X e sistemas de eletrocardiograma, sejam desativados caso os pagamentos não sejam regularizados.

O PSM da 14 de Março é a principal porta de entrada de urgência e emergência da capital paraense, atendendo não apenas moradores de Belém, mas também pacientes vindos do interior do estado e de outras regiões do país. A redução dos serviços especializados aumenta a pressão sobre a estrutura já sobrecarregada.

A Defensoria Pública da União (DPU) informou que o caso se soma a uma ação civil pública em andamento, junto ao Ministério Público Federal, que trata de problemas recorrentes na unidade ao longo de diferentes gestões.

Segundo o defensor público da União Felipe Moura, o cenário pode evoluir para responsabilizações na esfera criminal, a depender do avanço das investigações. A DPU estuda solicitar medidas mais rigorosas contra agentes públicos diante da gravidade das falhas identificadas.

Enquanto isso, pacientes e familiares enfrentam dificuldades para conseguir atendimento, relatando insegurança e preocupação com a piora do estado de saúde diante da demora nos procedimentos.

A Prefeitura de Belém foi procurada para comentar a situação, mas ainda não se manifestou até a publicação deste texto.

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