Mesmo com o discurso internacional voltado à sustentabilidade e à preservação ambiental impulsionado pela realização da COP 30 em Belém, o Pará continua figurando entre os estados mais violentos do país em conflitos no campo. Dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra revelam que o estado permanece no centro das disputas fundiárias, ambientais e trabalhistas no Brasil.
O relatório anual da CPT de 2025, lançado na última quinta-feira (7), aponta que o Pará registrou 179 ocorrências de conflitos no campo ao longo do último ano, ficando atrás apenas do Maranhão, que contabilizou 209 casos.
Segundo o levantamento, a maior parte das ocorrências está ligada à disputa por terras. Foram 142 conflitos relacionados à ocupação e posse de territórios, colocando novamente o Pará na segunda posição nacional nesse tipo de violência agrária.
Os municípios de Santarém, São Félix do Xingu, Viseu, Barcarena e Altamira aparecem entre as regiões com maior concentração de tensões. Na maioria dos casos, os conflitos envolvem comunidades tradicionais, assentamentos rurais e populações indígenas em confronto com o avanço de grandes empreendimentos econômicos.
Os fazendeiros aparecem como principais agentes relacionados aos conflitos, associados a 59 ocorrências. Também são citados o governo federal, com 21 casos, o governo estadual, com 20, além de madeireiros, grileiros, empresários e mineradoras.
Outro dado que chama atenção é a liderança do Pará nos conflitos envolvendo recursos hídricos. O estado registrou 21 ocorrências ligadas à água em 2025, permanecendo no topo do ranking nacional pelo segundo ano consecutivo.
Os casos incluem destruição e contaminação de rios e nascentes, poluição causada por minério e agrotóxicos, além da restrição ao acesso à água por comunidades tradicionais. O relatório aponta o garimpo ilegal como principal fator relacionado a esse tipo de disputa ambiental.
O estudo também destaca os conflitos trabalhistas no estado. Ao longo do ano, 44 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em 13 ocorrências registradas no Pará.
A pecuária concentrou a maior parte dos casos, envolvendo atividades como criação de gado, plantação de capim e construção de cercas. Também houve registros ligados à carvoaria, extração de madeira e lavouras, incluindo produção de cacau.
A violência no campo também aparece nos índices de mortes e ameaças. Segundo a CPT, sete pessoas foram assassinadas no Pará em conflitos agrários em 2025, colocando o estado na liderança nacional ao lado de Rondônia.
Entre as vítimas estão trabalhadores rurais sem terra, um pescador e um servidor público. O relatório contabiliza ainda quatro pessoas feridas, três tentativas de assassinato e 38 ameaças de morte relacionadas aos conflitos no campo.
Além disso, o estado registrou 66 manifestações sociais ligadas às pautas agrárias e ambientais ao longo do ano, refletindo a crescente tensão envolvendo terra, água, direitos trabalhistas e preservação ambiental na Amazônia.
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