O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contratou navios para hospedagem durante a COP30, realizada em Belém, em novembro, por meio de uma empresa cujo dono é apontado como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. As informações constam em documentos da Casa Civil obtidos pela coluna do jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
Segundo o material, a contratação foi feita pela Secretaria Especial da COP30, vinculada à Casa Civil, por meio da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur). A agência subcontratou a empresa Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda., responsável por intermediar o aluguel dos navios junto às operadoras Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros.
De acordo com o documento, “a União, por meio da Secop, contratou os serviços da Embratur, que subcontratou a operadora turística Qualitours, que, por sua vez, celebrou contratos com as empresas armadoras”.
Ainda segundo a apuração da coluna, o valor total da operação foi de R$ 350,2 milhões.
Ligação empresarial
A Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen, apontado como sócio de Daniel Vorcaro em um hotel de luxo em Campos do Jordão, em São Paulo. A empresa integra a holding BeFly, criada em 2021 com apoio de recursos ligados ao Banco Master, instituição associada ao banqueiro.
O que diz o governo
Em nota, a Embratur afirmou que a contratação ocorreu por meio de chamamento público e que a Qualitours apresentou toda a documentação exigida para comprovar capacidade técnica e idoneidade.
A agência também destacou que não houve participação do Banco Master no processo e que a operação financeira foi garantida pelo banco BTG Pactual, por meio de carta fiança.
Segundo a Embratur, o contrato foi auditado pelo Tribunal de Contas da União, que considerou a contratação regular por unanimidade. O órgão também apontou que o modelo adotado foi economicamente mais vantajoso do que o fretamento direto das embarcações.
Posicionamento das empresas
A BeFly informou que o Banco Master atuou apenas como provedor de crédito entre 2021 e 2023 e que a empresa mantém operação regular e independente.
Já a Qualitours afirmou que foi contratada para operar os navios de hospedagem “em processo regular e compatível com as exigências técnicas do projeto”, reforçando a legalidade da contratação.
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