Juras de amor e traição marcam relação entre Daniel e Jatene, que ganha novo capítulo - Estado do Pará Online

Juras de amor e traição marcam relação entre Daniel e Jatene, que ganha novo capítulo

Postagem de Daniel Santos com o ex-governador Simão Jatene reacendeu uma relação política que já teve alinhamento no PSDB, rompimento e novo gesto de aproximação em 2026.

Ex-prefeito Daniel Santos e ex-governdor Simão Jatene.

A postagem feita por Daniel Santos ao lado do ex-governador Simão Jatene em sexta-feira (10) recolocou no debate uma relação política antiga e cheia de reviravoltas no Pará. Ao publicar a foto no Instagram e agradecer pela conversa sobre o futuro do estado, Daniel deu sinal público de reaproximação com uma liderança que fez parte de sua origem política, mas de quem se afastou nos anos seguintes.

O histórico entre os dois começa no campo tucano. Daniel construiu a primeira fase da carreira no PSDB, partido que teve Jatene como principal referência no estado. Foi eleito vereador de Ananindeua em 2012 e 2016 pela sigla e, em 2018, chegou à Assembleia Legislativa também pelo partido, ainda dentro da órbita política do ex-governador.

Da aliança ao rompimento

A separação ganhou forma no fim de 2018 e início de 2019, quando Daniel rompeu com o PSDB após apoiar Helder Barbalho no segundo turno da disputa estadual. Na época, o próprio parlamentar afirmou ter sido punido internamente por essa escolha. O movimento marcou sua saída do grupo ligado a Jatene e abriu caminho para a migração ao MDB, legenda do então novo governo estadual.

A mudança não foi apenas partidária. Em 2019, Daniel Santos chegou à presidência da Alepa em seu primeiro mandato, num movimento político alinhado ao novo governo de Helder Barbalho, a quem já havia apoiado no segundo turno de 2018. Nos bastidores, a eleição foi lida como um arranjo que antecipou sua ascensão na Casa, enquanto Chicão, nome forte do grupo governista, ficou para o biênio seguinte.

O distanciamento de Jatene se aprofundou quando a Assembleia reabriu a tramitação das contas do ex-governador relativas a 2018. Em 1º de setembro de 2020, o plenário rejeitou as contas por 34 votos a 6, em um episódio de forte peso político.

Reencontro em novo cenário

No mesmo 2020, a tensão ficou visível também na eleição de Ananindeua. O PSDB nacional retirou o partido da coligação de Daniel e vetou a presença de um vice tucano em sua chapa, aprofundando o afastamento entre o grupo do então prefeito e os setores ligados a Jatene. A partir dali, os dois passaram a ocupar campos distintos no tabuleiro estadual.

Por isso, esse realinhamento tem peso político, mas carrega menos afeto do que cálculo. Ele reúne novamente dois atores que já estiveram do mesmo lado, romperam quando o jogo virou e agora testam uma nova aproximação sob a lógica das conveniências de 2026.

Resta saber até quando dura essa travessia. Na política, como na parábola do escorpião e do sapo, alianças podem nascer da conveniência, mas o passado sempre deixa no ar a dúvida sobre o momento em que a ruptura volta a falar mais alto.

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