Rock é sinônimo de resistência em Belém. No Dia Internacional do Rock, celebrado nesta segunda-feira (13), a cena musical da capital paraense reforça sua importância com bandas que atravessam décadas, novos artistas e uma produção autoral que continua encontrando espaço, mesmo diante dos desafios para se apresentar.
A história do gênero na cidade começou ainda nos anos 1970. Segundo o músico e pesquisador Elias Cadete, uma das primeiras bandas foi a Pantera, que interpretava sucessos da Jovem Guarda. Pouco tempo depois, a Stress projetou Belém nacionalmente ao se tornar a primeira banda brasileira de heavy metal.
O crescimento do movimento ganhou força na década de 1980, impulsionado pelo impacto do primeiro Rock in Rio. “Esse Rock in Rio repercutiu no Brasil todo e começaram a surgir pequenos espaços aqui em Belém voltados para bandas de rock, como o local Celeste”, recorda Elias.
Na década seguinte, o cenário viveu um período de expansão, com apresentações frequentes em teatros e espaços culturais.
Para o pesquisador, parte dessa estrutura se perdeu ao longo dos anos, especialmente para quem produz música autoral. “Esses espaços eram muito importantes. Hoje fazem falta. Para bandas covers há muitos locais, mas para a cena autoral não existem tantos”, afirma.
Entre os grupos que ajudam a manter essa tradição está a Álibi de Orfeu, que completa 40 anos de trajetória. Baterista e compositor da banda, Rui Paiva destaca as transformações musicais vividas pelo grupo. “Ao longo do tempo a banda vem se transformando. Já tivemos uma pegada mais do rock progressivo, depois passamos para o pop rock, o hardcore, e agora estamos misturando o rock com elementos da música paraense”, conta Rui.
Com cinco álbuns lançados, a banda prepara um novo EP para este ano. As composições abordam temas como amor, questões sociais, desmatamento e conflitos no campo. “As questões sociais são muito fortes em nossas letras”, destaca o músico.
Para ele, a produção local continua evoluindo. “As bandas estão cada vez mais profissionais e encontrando seus espaços. Elas também têm mais recursos eletrônicos e o pessoal está tocando mais. Vemos muita banda boa na cidade”, avalia.
Outra referência da cena paraense é a banda Delinquentes, que celebra quatro décadas de carreira levando o hardcore produzido em Belém para outros países.
O grupo realiza uma turnê pela Alemanha e República Tcheca. “Já rodamos várias capitais do Brasil, mas é a primeira vez que saímos do país. Dentro do underground, algumas poucas bandas de Belém fizeram o circuito europeu”, afirma Jayme.
Para o vocalista, o cenário permanece forte. “A cena do rock local tem história e conteúdo e até hoje encontramos bandas fortes e significativas. Há uma vasta quantidade de estilos para todos os gostos possíveis, com bandas que representam bem toda uma cadeia do segmento naquilo que se propõem a fazer”, conclui.
Leia também:









Deixe um comentário