Prefeita ameaça romper com Águas do Pará diante do abastecimento precário em São João de Pirabas - Estado do Pará Online

Prefeita ameaça romper com Águas do Pará diante do abastecimento precário em São João de Pirabas

Gestão municipal afirma que sistema voltará ao controle público após queixas de falta d’água, mas existem entraves legais para rompimento do contrato.

A prefeita de São João de Pirabas, Kamily Araújo (MDB), anunciou que o município pretende retirar a empresa Águas do Pará da operação do sistema de abastecimento de água da cidade. Segundo a gestora, o fornecimento voltará a ser responsabilidade do Sistema de Abastecimento de Água (SAI), administrado pelo próprio município, já a partir desta semana.

De acordo com a prefeita, a parceria com a concessionária foi articulada pelo Governo do Estado do Pará, mas a expectativa de melhoria no serviço não se confirmou. Ela afirmou que a população continua enfrentando constantes interrupções no fornecimento.

“Essa ação foi feita através do governo do Estado com a empresa. Mas a gente tinha a esperança que fosse melhorar, e a gente está padecendo com falta de água. Eu, como representante do povo, não posso ficar calada”, declarou.

Em vídeo divulgado neste domingo (5), Kamily Araújo classificou a situação como um “caos” e confirmou a retomada imediata do sistema público. “A partir de amanhã (segunda-feira), o SAI retoma os sistemas de abastecimento da cidade de São João de Pirabas, porque o caos está grande”, afirmou.

A crise no abastecimento não é exclusiva do município. Outras cidades paraenses também registraram reclamações desde a privatização dos serviços de saneamento, iniciada em abril de 2025.

Apesar do anúncio político, o rompimento do contrato não ocorre de forma automática. Concessões de serviços públicos, especialmente no setor de saneamento básico, seguem legislação federal específica e não podem ser encerradas por decisão unilateral sem respaldo jurídico.

Para que o município reassuma formalmente o serviço, seria necessário abrir processo administrativo garantindo direito de defesa à concessionária ou adotar instrumentos legais como a encampação — mecanismo que permite a retomada antecipada do serviço público pelo poder concedente, desde que haja lei específica e indenização prévia à empresa.

O cenário se torna ainda mais complexo porque o modelo de concessão no Pará foi estruturado de forma regionalizada pelo governo estadual, o que limita a autonomia municipal e pode levar o impasse para análise do Poder Judiciário.

Em nota, a Águas do Pará informou que é a legítima operadora dos serviços de água e esgoto em 126 municípios paraenses, incluindo São João de Pirabas.

Segundo a empresa, o decreto da prefeitura do município, que fala da “adoção, pelo Município de São João de Pirabas/PA, por meio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto – SAAE, de medidas administrativas emergenciais e supletivas, com o objetivo de assegurar o fornecimento mínimode água à população”, apresenta inconsistências legais e pode comprometer a operação e os avanços já realizados.

“A concessionária adota todas as medidas administrativas e eventualmente judiciais para assegurar seu direito e acesso integral aos bens e instalações, com o objetivo de garantir a segurança do sistema recebido e as melhorias contínuas, bem como universalizara cobertura desses serviços em até sete anos”, disse a nota.

“Desde o início da sua operação, em janeiro deste ano, já foram realizados pela concessionária importantes avanços, como a desobstrução de 440 metros de rede de água nos bairros Colina e Piracema, onde moradores relataram estar a mais de há mais de um ano semágua. A concessionária também colocou em operação dois poços que estavam inativos, realiza a limpeza e manutenção de outros 9 e deve perfurar mais dois, garantindo mais água para a população”, completa a Águas do Pará.

“Seguimos em diálogo com o poder público municipal, estadual, agência de regulação e demais órgãos públicos, no intuito de assegurar a prestação contínua dos serviços pela Concessionária nos moldes legalmente estabelecidos”, finaliza a nota da empresa.

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