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Veja como foi a entrevista de Well Macêdo, candidata do PSTU ao Governo do Pará, na TVC

Candidata defendeu a desmilitarização da polícia, ampliação das políticas de proteção às mulheres, mudanças na saúde pública e um plano de obras para geração de empregos

Por Júlia Ramos
07/09/2026 às 20:10 • 6 min

Candidata do PSTU ao Governo do Pará, Well Macêdo participou nesta segunda-feira (7) da sabatina promovida pela TVC Pará. Durante a entrevista, ela apresentou propostas para áreas como segurança pública, enfrentamento à violência contra as mulheres, conflitos agrários, saúde, educação, emprego e desenvolvimento econômico.

Ao longo da conversa, Well defendeu uma mudança no modelo de segurança pública, criticou a terceirização de serviços e apresentou uma proposta de governo baseada na ampliação da atuação estatal. A candidata também falou sobre a situação econômica do Pará e argumentou que as riquezas produzidas no estado deveriam ser utilizadas para melhorar as condições de vida da população.

Delegacia da Mulher

Ao abordar as políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres, Well defendeu a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), além da criação de mais abrigos para vítimas de violência.

A candidata também citou a necessidade de políticas de conscientização contra o machismo e destacou as dificuldades enfrentadas principalmente por mulheres da classe trabalhadora. Na entrevista, foi mencionada a situação das delegacias da mulher no estado, com a informação de que, entre as mais de 20 unidades, apenas cinco funcionariam 24 horas.

“Abrigo para as mulheres vítimas de violência, mais delegacias de mulheres, mas também uma política de conscientização contra o machismo”

Desmilitarização da polícia

Na área da segurança pública, Well defendeu a desmilitarização da Polícia Militar e a criação de uma estrutura de segurança de caráter civil. Segundo a candidata, a mudança faria parte de uma reformulação mais ampla da política de segurança do estado.

Well afirmou que os policiais deveriam atuar a serviço da população e defendeu uma estrutura sob controle dos trabalhadores. Ela também relacionou segurança pública a políticas de educação, cultura e lazer, argumentando que a prevenção da violência deve incluir alternativas para jovens das periferias.

“Quando a gente fala em desmilitarização da polícia, nós estamos dizendo, em outras palavras, que aquele policial vai deixar de cumprir essa função militar, inclusive que é ligada à repressão, que o Estado capitalista impõe, vai se tornar um servidor civil, atuando junto à comunidade, controlado pelos trabalhadores”

A candidata também associou a violência à desigualdade social e afirmou que o combate ao crime não deveria se limitar à construção de presídios, mas incluir políticas voltadas às condições de vida da população.

“Nosso estado é rico”: Well fala sobre emprego, educação e desenvolvimento

Ao responder sobre a proposta de redução da jornada de trabalho e o impacto da escala 6×1, Well afirmou que parte da população precisa escolher entre trabalhar e estudar por causa das dificuldades econômicas.

Foi nesse contexto que a candidata afirmou que “nosso estado é um estado rico” e defendeu a utilização dos recursos do Pará para criar um grande plano de obras públicas. Segundo ela, a iniciativa poderia gerar empregos para trabalhadores que atualmente estão na informalidade.

“O nosso estado é um estado rico. O problema do nosso estado não é a falta de dinheiro”

Well também propôs investimentos em educação, tecnologia e na Universidade do Estado do Pará (Uepa), incluindo a expansão dos campi para outros municípios. Para ela, a medida ajudaria a ampliar as oportunidades para jovens que concluem o ensino médio.

A candidata sustentou ainda que o modelo econômico defendido pelo PSTU deveria priorizar o atendimento das necessidades básicas da população e os serviços públicos, em vez dos interesses de grandes empresários.

Well critica política das Usinas da Paz

Ao falar sobre educação, formação profissional e cultura, Well criticou a política das Usinas da Paz e dos cursos de qualificação promovidos pela atual gestão estadual.

A candidata afirmou que, além dessas iniciativas, seria necessário fortalecer instituições culturais do estado, como a Fundação Cultural do Pará e a Fundação Curro Velho. Well destacou a importância histórica das duas instituições e afirmou que elas não recebem a valorização necessária.

Ela também defendeu investimentos em cultura como parte da formação da juventude e relacionou o setor à geração de oportunidades para a população.

“A atual gestão fala muito das Usinas da Paz, dos cursos de qualificação, mas a gente também precisa fortalecer as nossas fundações, a Fundação Cultural do Pará, a Fundação Curro Velho”

Conflitos agrários e grandes projetos

Well também foi questionada sobre conflitos no campo, grilagem de terras e os impactos de grandes projetos econômicos no Pará.

A candidata defendeu a realização de reforma agrária e a garantia dos direitos de povos indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas. Na avaliação dela, a política de desenvolvimento do estado precisa ser modificada para deixar de priorizar interesses econômicos e passar a considerar os direitos das populações afetadas por esses empreendimentos.

Saúde pública

Na saúde, Well defendeu um sistema 100% público e criticou a atuação de Organizações Sociais (OS) e empresas privadas na administração de serviços públicos.

A candidata propôs o fim das terceirizações na área e a ampliação da estrutura de atendimento, com mais hospitais e postos de saúde. Ela também destacou a necessidade de levar os serviços para populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

Educação e valorização dos trabalhadores

Well defendeu a valorização de professores e demais trabalhadores da educação, com realização de concursos públicos e melhores condições de trabalho.

A candidata também criticou políticas de terceirização e contratos temporários e defendeu uma educação pública que considere as características e a realidade amazônica. Para o ensino superior, afirmou que a Uepa precisa receber investimentos em infraestrutura, servidores e expansão.

Durante a entrevista, Well também relacionou educação, emprego e cultura à necessidade de oferecer alternativas para a juventude paraense, especialmente diante das dificuldades enfrentadas por quem precisa conciliar trabalho e estudo.

Como Well pretende colocar o programa em prática

Questionada sobre a viabilidade de suas propostas, Well afirmou que o modelo defendido pelo PSTU depende de uma mudança na prioridade dos gastos públicos e na relação do governo com grandes empresas.

A candidata defendeu a utilização de recursos estaduais em obras públicas, serviços essenciais, educação, tecnologia e cultura. Também afirmou que pretende acabar com incentivos fiscais destinados a grandes empresas e direcionar os recursos para políticas voltadas aos trabalhadores.

A entrevista completa você assiste no canal do YouTube da TVC Pará.

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