A Universidade Federal do Pará (UFPA) realizou na noite de quarta-feira (22) a cerimônia de entrega do diploma de graduação post mortem ao estudante Cezar Morais Leite, assassinado aos 19 anos em 10 de março de 1980, durante o período da ditadura militar no Brasil.
A solenidade ocorreu no auditório José Vicente Miranda Filho, no Instituto de Ciências Jurídicas, em Belém, reunindo familiares, professores, estudantes e autoridades acadêmicas. O ato foi marcado como gesto de reconhecimento institucional e reparação histórica.
A concessão simbólica do diploma foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) em fevereiro deste ano, após proposta apresentada pelo reitor Gilmar Pereira da Silva.
Cezar Morais Leite era aluno do curso de Bacharelado em Matemática e foi morto dentro do Campus Básico da UFPA enquanto participava de uma aula da disciplina Estudos dos Problemas Brasileiros.
De acordo com registros históricos citados pela universidade, o disparo foi efetuado por um agente infiltrado da repressão, posteriormente identificado como integrante da Polícia Federal, em um contexto de perseguição política promovida pelo regime autoritário.
Natural de Belém e nascido em 1961, Cezar foi lembrado pela UFPA como um jovem comunicativo e atuante no convívio social.
“Cezar Morais Leite era um jovem comunicativo. Quem o conheceu em vida conta que gostava de produzir fitas cassete e atuava como DJ em festas de amigos”, informou a instituição.
A universidade destacou que a diplomação possui caráter exclusivamente simbólico e honorífico, sem equivaler à outorga acadêmica convencional, funcionando como gesto oficial de memória e reparação.
Segundo a UFPA, a iniciativa segue movimentos semelhantes adotados por outras universidades brasileiras e está alinhada às recomendações da Comissão Nacional da Verdade, que orienta ações simbólicas em favor de vítimas da repressão estatal.
O parecer aprovado pelo Consepe, relatado pelo professor Edmar Tavares da Costa, também enquadra o assassinato de Cezar dentro de um padrão nacional de violência política contra estudantes universitários durante a ditadura militar.
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