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Tarifa de 25% imposta pelos EUA começa a afetar exportações brasileiras; saiba mais

Sobretaxa de 25% atinge cerca de 20% das exportações brasileiras para os Estados Unidos e pode gerar prejuízo de até US$ 11 bilhões

Por Estado do Pará Online
22/07/2026 às 12:24 • 4 min

Foto: Divulgação/ The White House

Começou a vigorar nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

A medida afeta cerca de 20% das exportações do Brasil para os Estados Unidos. Segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), o impacto pode variar entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões.

Entre os cerca de 2,3 mil produtos atingidos pela sobretaxa estão itens dos setores de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados.

Por outro lado, mais de 2,1 mil produtos ficaram isentos da medida, incluindo carne bovina, café, laranja e suco de laranja, petróleo, aeronaves civis, computadores, celulares, medicamentos, fertilizantes e diversas frutas brasileiras, como açaí, banana, abacaxi e manga.

Justificativas dos Estados Unidos

A decisão foi oficializada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que concluiu uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O governo norte-americano alega que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em áreas como pagamentos eletrônicos (Pix), regulação das redes sociais, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento ilegal, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual e acordos comerciais com outros países.

O governo brasileiro rejeita essas justificativas e afirma que a medida tem motivação política. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante as negociações os Estados Unidos defenderam a abertura total do mercado brasileiro sem oferecer contrapartidas.

Estados mais afetados

De acordo com a ApexBrasil, São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto econômico da medida.

São Paulo responde por 41,6% do valor das exportações brasileiras atingidas pelo tarifaço. Já Santa Catarina tem a maior dependência do mercado norte-americano, com 68% das exportações destinadas aos Estados Unidos alcançadas pela nova tarifa.

Governo prepara medidas

Em resposta à decisão norte-americana, o governo federal anunciou que retomará um programa de apoio aos setores afetados, com linhas de crédito para capital de giro, investimentos e incentivo à busca de novos mercados internacionais.

A ApexBrasil também informou que divulgará, em agosto, um plano de R$ 130 milhões para ampliar a presença dos produtos brasileiros em mercados como União Europeia, Sudeste Asiático e Ásia Central.

Apesar da aprovação da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar contramedidas comerciais, o governo sinalizou que, neste momento, não pretende retaliar os Estados Unidos. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a prioridade é buscar uma solução negociada para reduzir os impactos sobre a economia brasileira.

Principais produtos isentos da tarifa

Agropecuária

  • Carne bovina (cortes frescos, refrigerados, congelados e processados);
  • Café em grão, torrado e solúvel;
  • Laranja, suco de laranja congelado e não congelado;
  • Frutas como açaí, banana, abacaxi, goiaba, manga e melão;
  • Mel, peixes e crustáceos.

Mineração e energia

  • Petróleo bruto e derivados;
  • Ferro-gusa e sucata de aço;
  • Hidróxido de alumínio;
  • Minério de ferro, nióbio, grafite, caulim e gás natural.

Tecnologia, indústria e saúde

  • Aviões, helicópteros, drones, motores e peças para aeronaves;
  • Computadores, notebooks, celulares, monitores e semicondutores;
  • Vacinas, insulina, antibióticos, plasma e insumos farmacêuticos;
  • Fertilizantes, ureia e sulfato de amônio.

Produtos atingidos pela tarifa de 25%

Biocombustíveis e químicos

  • Etanol de cana-de-açúcar;
  • Outros biocombustíveis;
  • Celulose branqueada (exceto categorias isentas).

Indústria pesada

  • Aço e alumínio semiacabados;
  • Equipamentos de mineração;
  • Transformadores elétricos de grande porte.

Bens de consumo

  • Calçados;
  • Móveis de madeira;
  • Pisos, revestimentos e rochas ornamentais;
  • Vestuário, tecidos e peças de roupa.

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