RJ mantém rotina de tiroteios seis meses após megaoperação, aponta Fogo Cruzado - Estado do Pará Online

RJ mantém rotina de tiroteios seis meses após megaoperação, aponta Fogo Cruzado

Levantamento indica que confrontos armados seguem frequentes e continuam impactando escolas, unidades de saúde e moradores no Grande Rio

Tomaz Silva/Agência Brasil


Seis meses após a operação policial mais letal da história do país, realizada na zona Norte do Rio de Janeiro, a violência armada segue presente no cotidiano da população. Dados do Instituto Fogo Cruzado apontam que os tiroteios continuam ocorrendo com frequência na região.

A operação e seus impactos

A chamada Operação Contenção foi realizada em outubro de 2025 com o objetivo de combater a expansão do Comando Vermelho e cumprir mandados de prisão contra integrantes da facção. A ação terminou com 122 mortos, incluindo policiais, sendo considerada a mais letal já registrada no Brasil. Na ocasião, 113 pessoas foram detidas. A Polícia Civil informou que a maioria dos mortos tinha ligação com o grupo criminoso. O caso teve repercussão nacional e levou o Supremo Tribunal Federal a determinar medidas como a preservação das imagens de câmeras corporais utilizadas pelos agentes.

Reprodução X / Deputado Fábio Oliveira

Cenário permanece crítico

Mesmo após a operação, os dados indicam que a situação de violência não apresentou redução consistente. De acordo com o Instituto Fogo Cruzado, 43% dos tiroteios registrados no Grande Rio ocorreram durante operações policiais nos meses seguintes. Nesse período, 207 pessoas ficaram feridas e 178 morreram, além de 42 vítimas de balas perdidas.

O levantamento também mostra que serviços essenciais continuam sendo afetados. Ao todo, 1.008 unidades de saúde e 468 escolas foram impactadas por tiroteios em seus arredores, interferindo diretamente no funcionamento dessas estruturas.

Outro dado apontado é que o Comando Vermelho segue como o grupo armado com maior presença territorial na região, controlando cerca de 47% das áreas dominadas no Grande Rio.

Violência no dia a dia

O monitoramento do instituto indica ainda que trabalhadores estão entre as vítimas da violência. Pelo menos 27 pessoas foram baleadas enquanto exerciam suas funções, o que evidencia o alcance dos confrontos para além das áreas diretamente atingidas.

Segundo o Instituto Fogo Cruzado, os números reforçam que a operação não resultou em redução significativa da violência armada e apontam para a necessidade de estratégias mais eficazes no enfrentamento ao crime organizado.

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