Política

“Registramos sua oferta de equipe de transição”, diz Marco Rubio a Flávio Bolsonaro

Por Daniel Vinagre
26/06/2026 às 12:02 • 3 min

EUA classificam CV e PCC como facções terroristas em carta a Flávio Bolsonaro. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O governo dos Estados Unidos confirmou a classificação das facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e “Organizações Terroristas Estrangeiras”. A medida consta em uma carta oficial enviada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ao senador e pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), datada da última terça-feira (23), após uma comitiva do parlamentar visitar Washington.

O posicionamento da gestão de Donald Trump representa um aceno na cooperação de segurança internacional na América Latina. De acordo com o documento assinado por Rubio, as sofisticadas redes criminosas e a violência de ambas as facções ameaçam diretamente a estabilidade do Hemisfério Ocidental.

“Ao combater suas redes financeiras, de tráfico de drogas e de armas, estamos adotando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o povo americano do crime organizado transnacional”, disse o secretário de Estado dos EUA na correspondência.

Atritos comerciais e cobrança sobre desmatamento ilegal

Apesar do aceno na área de segurança, a carta de Marco Rubio expõe duras cobranças econômicas e ambientais da Casa Branca em relação à atual administração do governo brasileiro.

O secretário relembrou que, em 1º de junho de 2026, o embaixador e representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, concluiu que uma série de políticas internas do Brasil são “irrazoáveis ou discriminatórias”, impondo restrições severas ao comércio americano.

A investigação, iniciada em julho de 2025 por ordem direta do presidente Donald Trump, identificou divergências comerciais substanciais entre Brasília e Washington em sete eixos estratégicos:

  • Comércio digital e barreiras a serviços de pagamentos eletrônicos;
  • Tarifas preferenciais consideradas injustas pelo mercado norte-americano;
  • Fragilidade na aplicação de leis anticorrupção e proteção de propriedade intelectual;
  • Restrições ao acesso de combustíveis estrangeiros ao mercado de etanol;
  • Persistência de índices de desmatamento ilegal na região da Amazônia.

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos agendou uma audiência pública para o dia 6 de julho de 2026 para debater a aplicação de sanções e barreiras tarifárias retaliatórias contra produtos brasileiros.

O prazo regulamentar para que empresas brasileiras enviem contestações ou comentários termina em 1º de julho.

Confira a carta:

Oferta de transição antecipada para as eleições

O trecho final do documento gerou forte repercussão nos bastidores políticos de Brasília ao revelar detalhes das conversas de teor eleitoral mantidas por Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.

Na carta, Marco Rubio faz menção expressa às projeções do parlamentar sobre as eleições presidenciais brasileiras de outubro e revela uma oferta antecipada de interlocução de governo feita pelo senador.

“Registramos seu otimismo em relação às próximas eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso seja eleito”, registrou Rubio.

No fechamento, o chefe da diplomacia americana adotou o protocolo de neutralidade institucional ao afirmar que o governo dos EUA “está pronto para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro” para estabelecer marcos comerciais recíprocos.

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