A destruição de um trecho da calçada da Avenida Nazaré por uma rede de fast-food gerou indignação em Belém. A descaracterização da área reacendeu o debate sobre a urgência de fiscalização rigorosa contra intervenções privadas ilegais.
O trecho atingido possui relevância histórica fundamental e remonta ao final do século XIX. Naquela época, a Avenida Nazaré passou por uma urbanização planejada para expandir a cidade em direção à Basílica e ao Mercado de São Brás. O projeto incluiu a pavimentação de calçadas exclusivas feitas de cantaria e pedras de liós.
Por causa desse valor cultural, as calçadas são tombadas pelo Departamento de Patrimônio Histórico do Estado (DPHAC). Mesmo com a proteção legal, a empresa responsável pela lanchonete ignorou as normas de preservação. A pavimentação original foi arrancada e substituída por uma camada de concreto.
Além de descaracterizar a paisagem urbana, a empresa descartou as pedras de liós diretamente no lixo. O flagrante do entulho foi denunciado publicamente pelo historiador Michel Pinho. O especialista criticou a negligência da rede privada e o impacto da perda dessa memória para a população local.
Ainda de acordo com o historiador, após a repercussão do caso, o Departamento de Patrimônio Histórico do Estado informou que notificou oficialmente a obra. A empresa recebeu um prazo de sete dias para devolver as pedras originais e reverter a intervenção na calçada. A sociedade civil agora cobra o acompanhamento do caso para garantir a restauração do patrimônio.
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