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PSOL aciona Ministério Público e pede investigação sobre suposta rede de perfis falsos contra pré-candidata ao Governo do Pará

Representação protocolada por Araceli Lemos aponta possível atuação de uma "milícia digital" e solicita apuração de ataques coordenados durante a pré-campanha.

Por Estado do Pará Online
26/07/2026 às 11:34 • 4 min
Representação protocolada por Araceli Lemos aponta possível atuação de uma "milícia digital" e solicita apuração de ataques coordenados durante a pré-campanha.

Redes sociais

A pré-candidata do PSOL ao Governo do Pará, Araceli Lemos, protocolou uma representação criminal e eleitoral no Ministério Público Eleitoral pedindo a abertura de uma investigação sobre a suposta atuação de uma rede organizada de perfis falsos nas redes sociais. Segundo o documento, os perfis teriam promovido ataques coordenados contra a pré-candidata durante o período de pré-campanha.

A representação foi apresentada à Procuradoria Regional Eleitoral no Pará e solicita a instauração de um procedimento investigatório para apurar possíveis crimes de violência política de gênero, perseguição (stalking), violência psicológica contra a mulher e eventual organização de ataques digitais coordenados.

De acordo com o documento, entre os dias 14 e 15 de julho, o perfil oficial de Araceli Lemos no Instagram registrou a entrada de mais de mil novos seguidores em um curto intervalo de tempo. A defesa afirma que as contas apresentavam características semelhantes às de perfis automatizados ou falsos, como criação recente, nomes aleatórios, ausência de publicações e comportamento típico de redes de bots.

Segundo a representação, a suposta estratégia teria como finalidade preparar uma ofensiva de denúncias em massa contra o perfil da pré-candidata, mecanismo que pode resultar na remoção de publicações ou até mesmo na suspensão da conta pela plataforma.

“O que está em jogo não é apenas um ataque contra uma candidata, mas uma tentativa de impedir que uma voz política alcance a sociedade por meio das redes sociais”, afirma um trecho do documento encaminhado ao Ministério Público.

A defesa também sustenta que o episódio pode não ser um caso isolado. A representação menciona situações semelhantes envolvendo o jornalista Adriano Wilkson, o portal Tapajós de Fato e a jornalista Mary Tupiassu, que, segundo o documento, também relataram ataques digitais após publicações críticas ao Governo do Pará.

Ainda conforme a representação, entidades ligadas ao jornalismo investigativo já apontaram a existência de um padrão de intimidação digital direcionado a comunicadores e veículos independentes na Amazônia. Apesar disso, o documento ressalta que não há, até o momento, comprovação de que todos os episódios tenham a mesma autoria, defendendo apenas a realização de uma investigação técnica para verificar eventuais conexões entre os casos.

Entre as diligências sugeridas estão a análise de endereços de IP, datas de criação das contas, padrões de automação e possíveis indícios de coordenação entre os perfis.

A representação também argumenta que os fatos podem configurar violência política de gênero, prevista na legislação eleitoral. Segundo a defesa, por ser mulher, pré-candidata ao Governo do Pará e uma das principais lideranças de oposição no estado, Araceli Lemos teria sido alvo de uma tentativa de restringir sua atuação política e dificultar a comunicação com o eleitorado.

No pedido encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, a defesa solicita a abertura imediata de investigação criminal e eleitoral, o envio de requisição à Meta para identificação dos responsáveis pelas contas, a apuração da eventual coordenação entre os perfis, a remoção e o bloqueio das contas identificadas, o encaminhamento do caso à Polícia Federal para investigar possíveis crimes conexos e a adoção de medidas protetivas, caso sejam constatados riscos à integridade da pré-candidata.

Em nota constante na representação, o PSOL afirma que o episódio extrapola a disputa política e representa uma ameaça ao debate democrático. Segundo o partido, a utilização de redes artificiais para intimidar candidatas, jornalistas e vozes críticas compromete a liberdade de expressão e o processo democrático, motivo pelo qual defende uma investigação rigorosa sobre a origem dos ataques.

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