A participação da delegada Layla Lima Ayub em uma audiência de custódia no Pará está no centro da investigação que resultou em sua prisão temporária, mantida pela Justiça de São Paulo após audiência de custódia realizada no sábado (17). A apuração integra a Operação Serpens, deflagrada na sexta-feira (16), e investiga suspeitas de vínculo com o crime organizado e de exercício irregular da advocacia após a posse no cargo.
Segundo a Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público, Layla atuou como advogada em uma audiência de custódia realizada em Marabá, no sudeste do Pará, no dia 28 de dezembro de 2025, apenas dez dias depois de ter sido empossada como delegada. No interrogatório, ela confirmou a participação e afirmou que cometeu uma “bobeira”, alegando que já havia solicitado o cancelamento de sua inscrição na OAB, mas que o procedimento ainda não havia sido formalizado.
Ligação com o Pará e atuação conjunta
A investigação tem ligação direta com o Pará não apenas pela audiência judicial, mas também pela atuação conjunta do Gaeco de São Paulo e do Gaeco do Pará. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos tanto na capital paulista quanto em Marabá, apontada como área de atuação de integrantes da facção investigada.
Outro ponto central da apuração é o relacionamento de Layla com Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, apontado como liderança do PCC com atuação no estado do Pará. Ele foi preso na mesma operação, e a Justiça manteve sua prisão temporária após audiência de custódia.
Depoimento e investigações em curso
Durante depoimento à Corregedoria, Layla afirmou que “não errou sozinha”, indicando que suas condutas estariam inseridas em um contexto mais amplo de relações pessoais e profissionais. A investigação também apura suspeita de uso de um estabelecimento comercial em São Paulo para lavagem de dinheiro, hipótese negada pela delegada.
A prisão temporária foi decretada pela 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de São Paulo, com prazo inicial de 30 dias, prorrogável por igual período. A Corregedoria indiciou a delegada por exercício irregular da profissão, integrar organização criminosa, falsidade ideológica e associação para o tráfico. O Ministério Público segue colhendo depoimentos e analisando o material apreendido na operação.










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