Internacional

Nepal dispensa ajuda estrangeira em resgates após enchentes que deixaram centenas de mortos

Governo afirma que equipes nacionais conseguem conduzir as buscas; Coreia do Sul e Índia oferecem apoio diante do número de desaparecidos

Por Vitoria Fesa
28/08/2026 às 19:26 • 3 min
Imagem da enchente

Reprodução / PRABIN RANABHAT/AFP

O Nepal decidiu manter sob responsabilidade de suas próprias forças as operações de busca e resgate após as fortes enchentes que atingiram o país na quarta-feira (26). Mesmo com ofertas de assistência de diferentes nações, o Ministério das Relações Exteriores do país afirma, por enquanto, não precisar de equipes estrangeiras para atuar nas áreas devastadas. 

As inundações provocaram destruição em várias regiões, principalmente no distrito de Rasuwa, próximo à fronteira com a China. Segundo as informações divulgadas pela BBC, estima-se que 389 pessoas morreram no Nepal e 3 no Tibete. O Conselho de Turismo do Nepal também informou que 540 dos desaparecidos são estrangeiros, vindos de 31 países. 

Entre os desaparecidos estão cidadãos da Coreia do Sul, e o país informou que nove sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica estavam desaparecidos e outros dez permaneciam isolados após o desastre. 

Apesar das ofertas, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Nepal, Lok Bahadur Chhetri, afirmou nesta sexta-feira (28) que as forças de segurança do país seguem à frente das operações.

A Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh estão entre os países que teriam oferecido equipes especializadas para auxiliar nas buscas.

Coreia do Sul mantém negociações

O governo sul-coreano afirmou que continua conversando com as autoridades nepalesas sobre a possibilidade de enviar equipes de assistência. Enquanto isso, Seul anunciou US$ 1 milhão em ajuda humanitária, que será destinada por meio de organizações internacionais.

A decisão do Nepal também levantou discussões sobre a localização de Rasuwa, região atingida pelo desastre que fica próxima ao Tibete chinês. Para o ex-embaixador nepalês Dinesh Bhattarai, a sensibilidade da área pode ter influenciado a escolha do governo.

As autoridades do Nepal, porém, negam que questões diplomáticas tenham relação com a decisão e reforçam que o motivo é a capacidade das próprias equipes nacionais de conduzir os trabalhos.

Enquanto as operações continuam, familiares de desaparecidos aguardam informações sobre seus parentes. O Nepal mantém as buscas com equipes nacionais, enquanto governos estrangeiros seguem oferecendo apoio para localizar vítimas e prestar assistência aos sobreviventes. 

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