Cidades

Mulher de Serra Leoa que vive no aeroporto de Belém tem viagem remarcada para agosto

Por Estado do Pará Online
23/06/2026 às 13:38 • 3 min
Caso de migrante que está há cerca de seis meses no terminal internacional mobiliza órgãos públicos e Justiça Federal no Pará.

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A mulher de nacionalidade serra-leonesa que vive há aproximadamente seis meses no Aeroporto Internacional de Belém teve sua viagem internacional novamente adiada. Identificada como Fatmata Sessay, de 56 anos, ela tinha embarque previsto para o Panamá nesta segunda-feira (22), mas a passagem foi remarcada para o dia 15 de agosto.

Segundo o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), o novo adiamento ocorreu devido a pendências documentais, incluindo carteira de vacinação contra febre amarela, visto e comprovação de renda. De acordo com o órgão, mesmo diante da situação, a própria migrante optou por permanecer nas dependências do aeroporto enquanto aguarda a regularização.

O MPPA informou ainda que atua na articulação com diferentes instituições para garantir os direitos da estrangeira, que vive em condição de vulnerabilidade dentro do terminal aéreo e tem sido acompanhada por órgãos de fiscalização.

Já o Ministério Público Federal (MPF) informou que ingressou com pedido urgente na Justiça Federal, que foi aceito no mesmo dia da solicitação. A decisão judicial determinou a adoção de medidas de assistência consular à migrante e o apoio necessário para a continuidade do processo migratório.

De acordo com informações do processo, os órgãos envolvidos foram notificados, mas ainda não teriam se manifestado oficialmente no cumprimento da decisão. A Justiça também estabeleceu prazo para que autoridades estaduais e federais, além do Ministério das Relações Exteriores, garantam suporte para a obtenção de vistos e demais exigências consulares.

O Governo do Pará informou que o caso foi encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Departamento de Migrações, ressaltando que a condução do tema envolve canais federais de proteção a migrantes estrangeiros. O Itamaraty, por sua vez, destacou que não realiza intermediação de vistos para terceiros países, em respeito aos princípios das relações internacionais.

A Secretaria de Estado de Justiça (Seju) afirmou que acompanha a situação e presta assistência dentro das suas atribuições, mantendo articulação com os órgãos competentes para garantir o suporte necessário à migrante.

A concessionária responsável pelo aeroporto informou que acompanha o caso desde o início e tem colaborado com as autoridades, adotando medidas de apoio dentro das possibilidades institucionais.

O caso de Fatmata Sessay ganhou repercussão após vir a público a sua permanência prolongada no terminal aéreo, onde ela passou a dormir em áreas internas e a depender de ajuda eventual de instituições de assistência e pessoas que circulam pelo aeroporto.

A situação começou no fim de 2025, quando a mulher deixou São Paulo com destino ao Panamá, onde possui familiares, mas teve a viagem interrompida após problemas com documentação de viagem. Sem recursos para retornar ou seguir viagem, passou a permanecer no aeroporto enquanto buscava regularizar sua situação migratória.

A Justiça Federal determinou ainda medidas para garantir assistência imediata, incluindo articulação entre órgãos estaduais e federais e apoio consular junto à representação diplomática de Serra Leoa, com o objetivo de viabilizar o deslocamento da migrante para a Colômbia e, posteriormente, para o Panamá.

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