Cidades

MPPA denuncia 20 suspeitos de esquema que cobrava propina de investigados no Pará

Grupo teria usado inquéritos policiais para pressionar alvos e negociava vantagens indevidas por meio de advogados; denúncia aponta quase R$ 3 milhões obtidos ilegalmente

Por Estado do Pará Online
14/08/2026 às 20:36 • 2 min
Ministério Público do Estado do Pará (MPPA)

Divulgação

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) apresentou à Justiça uma denúncia contra 20 pessoas investigadas por participação em um suposto esquema de extorsão e corrupção que teria movimentado quase R$ 3 milhões de forma ilícita. A denúncia foi protocolada nesta sexta-feira (14).

De acordo com a apuração, os investigados teriam criado uma espécie de estrutura para lucrar com pessoas que estavam sob investigação criminal. O grupo seria responsável por instaurar procedimentos e inquéritos contra determinados alvos e, posteriormente, oferecer vantagens no andamento dos casos mediante o pagamento de propina.

A negociação dos valores, segundo o MPPA, ocorreria principalmente por intermédio dos advogados dos investigados, com a participação de servidores que dariam suporte ao funcionamento do esquema.

A denúncia envolve pessoas de diferentes áreas do sistema de Justiça e segurança pública, incluindo delegados, promotores, um procurador, policiais civis, advogados e servidores. Entre os denunciados está o delegado Arthur Afonso Nobre de Araújo Sobrinho, que havia sido preso em 2024 durante outra investigação e posteriormente acabou exonerado.

O MPPA atribui aos denunciados crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, prevaricação e concussão. Além das responsabilizações criminais, o órgão solicita à Justiça a aplicação de medidas relacionadas aos cargos públicos ocupados pelos envolvidos e o pagamento de mais de R$ 5,8 milhões por danos morais coletivos.

As suspeitas abrangem fatos que teriam ocorrido entre 2021 e 2026. A investigação que levou à descoberta do esquema começou em 2024, a partir de uma apuração envolvendo irregularidades relacionadas a cartórios.

Segundo o Ministério Público, parte dos investigados já está afastada de suas funções. O caso permanece sob investigação e o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) avalia a possibilidade de apresentar novas denúncias caso outros envolvidos sejam identificados.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados poderão apresentar suas defesas ao longo do processo.

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