Eleições 2026

MDB adota neutralidade inédita em 20 anos para eleição presidencial de 2026

Decisão libera diretórios estaduais para apoiarem diferentes candidatos ao Planalto e marca a primeira vez desde 2006 que o partido não define um nome para a disputa nacional.

Por Estado do Pará Online
28/07/2026 às 17:48 • 3 min
Decisão libera diretórios estaduais para apoiarem diferentes candidatos ao Planalto e marca a primeira vez desde 2006 que o partido não define um nome para a disputa nacional.

Câmara dos Deputados

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) decidiu, durante convenção nacional realizada nesta segunda-feira (27), não declarar apoio a nenhum candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. Com a decisão, os diretórios estaduais terão autonomia para firmar alianças de acordo com os cenários políticos de cada estado.

A medida representa um marco para a legenda, que volta a adotar uma postura de neutralidade no primeiro turno após 20 anos. A última vez que o partido optou por não lançar candidatura própria nem integrar uma chapa presidencial foi em 2006, quando Luiz Inácio Lula da Silva venceu Geraldo Alckmin no segundo turno.

Segundo a direção nacional do MDB, a estratégia busca preservar a unidade interna da sigla, historicamente marcada por diferentes posicionamentos políticos entre suas lideranças regionais.

O presidente nacional do partido, deputado Baleia Rossi (MDB-SP), afirmou que a decisão permitirá fortalecer o MDB nos estados.

“A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos estados tenha um resultado bastante positivo”, declarou.

Alianças variam conforme a região

As diferenças políticas entre os diretórios estaduais influenciaram diretamente a decisão da executiva nacional.

Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, lideranças do MDB demonstram maior proximidade com candidaturas de centro-direita, tendo como principais nomes o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).

Já nos estados do Norte e Nordeste, onde o partido mantém alianças históricas com grupos ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a tendência é de apoio à candidatura petista.

Ao optar pela neutralidade, a direção nacional evitou aprofundar essas divergências e permitiu que cada diretório estadual conduza suas articulações de forma independente.

Histórico do MDB nas eleições presidenciais

Desde a redemocratização, o MDB alternou momentos de protagonismo e de apoio a outras candidaturas.

Até 2010, o partido participou diretamente da disputa presidencial em poucas ocasiões. Lançou Ulysses Guimarães em 1989, Orestes Quércia em 1994 e integrou a chapa de José Serra em 2002, indicando Rita Camata como candidata à vice-presidência.

A partir de 2010, a legenda passou a ocupar papel de destaque nas eleições nacionais. Michel Temer foi eleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff e permaneceu no cargo após a reeleição da petista, em 2014. Com o impeachment de Dilma, em 2016, Temer assumiu a Presidência da República.

Em 2018, o MDB voltou a disputar o Palácio do Planalto com Henrique Meirelles. O candidato obteve 1,2% dos votos válidos, registrando o pior desempenho eleitoral da história da legenda em eleições presidenciais.

Quatro anos depois, em 2022, o partido lançou Simone Tebet como candidata à Presidência, em aliança com Podemos e a federação PSDB-Cidadania. A senadora terminou a disputa na terceira colocação, com 4,16% dos votos válidos, enquanto o MDB ampliou sua bancada na Câmara dos Deputados.

Agora, para as eleições de 2026, a estratégia da legenda será concentrar esforços na ampliação de sua representação no Congresso Nacional, deixando a definição sobre o apoio à disputa presidencial sob responsabilidade das lideranças estaduais.

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