Brasil

Jovens de 16 a 24 anos lideram índice de tabagismo no Brasil, aponta pesquisa

A menor incidência foi observada entre pessoas de 25 a 40 anos, com 15%

Por Sarah Carvalho
27/08/2026 às 14:41 • 3 min

Os jovens brasileiros entre 16 e 24 anos apresentam a maior incidência de tabagismo entre todas as faixas etárias, segundo pesquisa realizada pelo Instituto A.C. Camargo Cancer Center em parceria com a empresa Nexus. O levantamento ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país.

De acordo com os dados, 19% dos entrevistados nessa faixa etária se declararam fumantes ativos, considerando o consumo de cigarros convencionais ou eletrônicos. O índice está acima da média nacional, de 17%, e supera o registrado nas demais idades pesquisadas.

A menor incidência foi observada entre pessoas de 25 a 40 anos, com 15%. Entre os entrevistados com mais de 60 anos, o índice foi de 16%, enquanto na faixa de 41 a 59 anos chegou a 17%.

Além do consumo direto, a pesquisa revelou que uma parcela significativa da população está exposta à fumaça do cigarro. Segundo o levantamento, 33% dos brasileiros compartilham frequentemente ambientes domésticos ou de trabalho com fumantes. A exposição passiva à fumaça pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças, incluindo o câncer de pulmão.

Primeiro contato com o cigarro ocorre, em média, aos 16 anos

Segundo Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo, os dados relacionados aos jovens exigem atenção especial. Conforme a pesquisa, o primeiro contato com o cigarro ocorre, em média, aos 16 anos.

Para o especialista, adolescentes e jovens adultos estão entre os grupos mais vulneráveis ao desenvolvimento da dependência, o que pode dificultar o abandono do hábito posteriormente.

O levantamento também apontou que pessoas com mais de 60 anos lideram o percentual de ex-fumantes, com 32%. Em seguida, aparecem os entrevistados entre 41 e 59 anos, com 15%; os de 25 a 40 anos, com 10%; e os jovens de 16 a 24 anos, com 8%.

Sul lidera consumo de cigarros

Entre as regiões brasileiras, o Sul apresentou a maior incidência de tabagismo, com 22%. Na sequência aparecem o Sudeste, com 19%, e as regiões Nordeste e Norte/Centro-Oeste, ambas com 13%.

Os dados também indicam uma relação entre o consumo de cigarros e fatores socioeconômicos. Entre os entrevistados com renda de até um salário mínimo, 19% se declararam fumantes. Em relação à escolaridade, o maior índice foi registrado entre aqueles que concluíram apenas o ensino fundamental, com 21%.

Tabagismo e outros hábitos prejudiciais

A pesquisa também identificou uma associação entre o tabagismo e outros comportamentos considerados prejudiciais à saúde. Entre os fumantes, 84% afirmaram manter até quatro hábitos prejudiciais no cotidiano, com destaque para o sedentarismo e o consumo frequente de frituras e alimentos ultraprocessados.

Por outro lado, 18% das pessoas que nunca fumaram disseram não manter nenhum hábito prejudicial à saúde, percentual duas vezes maior do que o observado entre os fumantes, de 9%.

Os ex-fumantes, por sua vez, lideraram a categoria de pessoas que mantêm apenas um hábito considerado ruim, com 44%, indicando, segundo o estudo, que o abandono do cigarro pode estar associado a mudanças mais amplas no estilo de vida.

Outro dado chamou a atenção dos pesquisadores: 63% dos fumantes classificaram a própria saúde como ótima ou boa, percentual semelhante ao registrado entre pessoas que nunca fumaram, de 61%. O resultado indica que muitos fumantes podem não perceber os riscos relacionados ao consumo de cigarros, apesar dos impactos já conhecidos do tabagismo para a saúde.

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