Indígenas do Médio Xingu bloquearam, nesta segunda-feira (16) , a via de acesso ao Aeroporto de Altamira, no sudoeste do Pará, contra o projeto da mineradora canadense Belo Sun. Elas estão acampadas há 22 dias na sede local da Funai, também como protesto contra os planos da multinacional de extrair 60 toneladas de ouro da área conhecida como Volta Grande do Xingu, uma das mais biodiversas da Amazônia. Os povos pedem diálogo com o governo federal.
Ngrenhkarati Xikrin é uma das lideranças do Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu presentes no bloqueio. “Só vamos sair daqui quando eles [a Funai] vim fazer reunião junto com nós.” Além dos Xikrin, o protesto envolve indígenas Arara, Xipai e Juruna. SUMAÚMA questionou a Funai sobre a reivindicação, mas não houve resposta.
Indígenas do Médio Xingu bloquearam, nesta segunda (16), o acesso ao Aeroporto de Altamira (PA) contra o projeto da mineradora Belo Sun. O grupo está acampado há 22 dias na Funai e pede diálogo com o governo federal sobre a exploração de ouro na Volta Grande do Xingu. pic.twitter.com/yToTaROVci
— Portal Estado do Pará Online (@Estadopaonline) March 17, 2026
A Belo Sun conseguiu restabelecer, por liminar, em fevereiro deste ano, a licença de instalação de sua mina de ouro. O Ministério Público Federal entrou com recurso. Indígenas e ribeirinhos que vivem na região da Volta Grande do Xingu, onde a empresa pretende extrair ouro e deixar uma barragem com rejeitos tóxicos como o cianeto, reivindicam escuta e consulta adequadas. A Volta Grande já é afetada pela Usina Hidrelétrica Belo Monte.
O território Trincheira Bacajá, onde vive Ngrenhkarati Xikrin, é um dos que sentem os impactos de Belo Monte. “Nós estamos sentindo o rio secando, o peixe morrendo.”
Nota pública do movimento
Em nota pública divulgada na manhã desta terça-feira (17), o Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu (MMIMX) informou que as lideranças e comunidades indígenas mobilizadas em Altamira (PA) já somam 22 dias aguardando uma resposta das autoridades públicas diante das preocupações relacionadas ao projeto minerário da empresa canadense Belo Sun, previsto para a região da Volta Grande do Xingu.
Segundo o movimento, desde o início da mobilização, as mulheres indígenas têm buscado diálogo institucional e providências concretas para garantir o respeito aos direitos dos povos potencialmente afetados pelo empreendimento.
A mobilização ocorre em meio a denúncias e preocupações sobre os impactos socioambientais do projeto e sobre a necessidade de que qualquer decisão relacionada à instalação da mineradora respeite plenamente os direitos assegurados aos povos indígenas, especialmente o direito à consulta prévia, livre e informada, conforme previsto na Constituição Federal e na Convenção nº 169 da OIT.
O projeto pretende instalar uma grande mina de ouro na região da Volta Grande do Xingu e enfrenta questionamentos de comunidades e organizações devido aos potenciais impactos ambientais e sociais.
Em nota, Belo Sun diz que respeita o direito de manifestação do movimento, que o diálogo deve ocorrer “por meio dos canais apropriados e das instâncias competentes”. A empresa “refuta a alegação de ausência de Consulta Prévia, Livre e Informada” e diz que “as atividades de implantação previstas serão executadas dentro dos limites e condicionantes estabelecidos”.
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