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Idoso é resgatado após quase oito anos em condições análogas à escravidão no Pará

Por Elielson Almeida
19/07/2026 às 16:42 • 2 min

Fiscalização encontrou o idoso vivendo sozinho na floresta, sem acesso a serviços básicos e em condições precárias. (Foto: AFT)

Um trabalhador de 65 anos foi resgatado em condições análogas à escravidão em uma propriedade rural localizada no interior da Estação Ecológica Terra do Meio, em Altamira, no sudoeste do Pará. A informação foi divulgada neste domingo (19) pela Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT), que apontou que o homem vivia sozinho no local desde novembro de 2018, em situação de isolamento e sem acesso a condições básicas de sobrevivência.

A operação de resgate foi realizada no último dia 14 de julho por uma força-tarefa formada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Federal (PF). Segundo os órgãos, o acesso à propriedade só é possível por via aérea ou fluvial, sendo necessário o uso de um helicóptero da Polícia Federal para chegar ao local.

De acordo com a fiscalização, o trabalhador era responsável sozinho pela vigilância da fazenda, manutenção da pista de pouso, manejo de animais e cultivo de pequenas lavouras para subsistência. Durante esse período, vivia sem água potável, sem acesso regular à saúde, comunicação ou outros serviços públicos.

A equipe de fiscalização constatou que o homem consumia água retirada diretamente do rio Pardo, armazenada em recipientes reutilizados de óleo lubrificante. A alimentação era composta, principalmente, por arroz, feijão, óleo, sal e alguns mantimentos enviados esporadicamente pelo empregador. Em determinados períodos, segundo o relato do trabalhador, ele sobreviveu apenas de abóboras cultivadas por ele e de piranhas pescadas no rio.

A moradia também foi considerada degradante. Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, o trabalhador vivia em um barraco de madeira com goteiras, piso parcialmente de terra batida, frestas nas paredes e estrutura precária. O banheiro estava sem condições de uso havia cerca de quatro anos, obrigando o idoso a fazer as necessidades fisiológicas no mato. Para tomar banho, ele precisava ir ao rio.

Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta prevendo o pagamento das verbas rescisórias e de indenização por danos morais, além da emissão das guias para acesso ao seguro-desemprego e outras medidas destinadas à garantia dos direitos trabalhistas do trabalhador.

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